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domingo, 24 de dezembro de 2017

O Natal não é Mágico!

O Natal não é mágico! Como às vezes fingimos acreditar. Antes pelo contrário, é bem real (e por vezes, até bastante duro).

Acima de tudo, é uma oportunidade de (re)encontrarmos algumas das nossas verdades. Sentirmos o que nos dói, o que nos conforta, o que nos faz falta, o que temos...
Há quem se choque com o consumismo, há quem se consuma em vazios. Há quem dê aos outros para si-mesmo, há quem dê a si-mesmo para dar aos outros. Amores que serenam, ódios necessários... As contradições são Vida e a vida é bem real. Tal como o Natal.

O que vos desejo? Que neste Natal se dêem de presente a vocês mesmos . Hoje mais que ontem, amanhã mais que hoje, e passo a passo, ano a ano, se encontrem em Amor Próprio (e pelo Outro). E que este Natal, independentemente de ser dos que doem, dos que fazem sorrir, dos que fazem sonhar, ou dos que fazem chorar, que seja, sobretudo, um Natal de acolhimento e respeito pelo vosso sentir. E que assim, só assim, possa ser genuinamente o vosso Natal. 

E o encontro com o que é nosso... é Mágico! ;)

terça-feira, 13 de setembro de 2016

No Interior se Gera a Vida


Tal como uma semente, que tem que cair em solo fértil para vingar, também uma ideia, um desejo, um amor, precisa da mesma fertilidade, e das condições de protecção e evolução para crescerem forte e saudavelmente. Mas é no exterior que tantas vezes nos focamos. Procuramos coisas, amor, realização... Procuramos o que pensamos querer (e precisar) para nos sentirmos a viver. Em vão, esperamos que cresça, apesar de não lhe darmos solo (ou colo). Na verdade, esse só existe no nosso interior. Sem sabermos, toda a fertilidade de que necessitamos está dentro de nós. É no ventre que se gera e cresce a vida, ciclo após ciclo.  É aí que começam os milagres. Mas a vida não é exclusiva de um novo Ser que venha ao mundo. Vida é tudo o que conseguimos construir, gerar, fertilizar ao longo de uma vida já existente, e tão preciosa quando qualquer outra. A nossa.

Focados no exterior, procuramos elogios, procuramos que nos amem, procuramos que nos valorizem e dêem reconhecimento. E por vezes, até o conseguimos ter. Mas aí, tal como escravos da “exterioridade”, continuamos a mendigar, a lutar por mais, na expectativa de que possamos sentir que ganhamos um pouco também dentro de nós. De alguma forma, é como fixar-nos numa semente, e contemplá-la longamente, sem lhe pôr terra, sem a regar, sem a cuidar e amar verdadeiramente, ainda que com a expectativa de a ver crescer e a poder “sentir”. Por vezes até, há quem agarre essa semente, e que tente cuidar dela no nosso lugar. Mas aí, nunca será a nossa semente e no íntimo sentimos isso. O que queremos para nós, só pode vir do mais fundo das nossas entranhas. É aí que se esconde a “Alma”. É aí que guardamos a Vida. A nossa vida. É por isso que digo que só vive verdadeiramente quem se vive a si mesmo. Quem olha, vê, contempla e cuida do seu interior. Quem chora as suas mágoas, sorri as suas alegrias, ama e odeia cada minuto da sua própria vida, numa honestidade (tão difícil quanto libertadora) do que verdadeiramente é, e tem. É no interior que se gera uma vida, é no interior que se guarda a vida de quem partiu, é no interior que vive quem amamos, é no nosso interior que vivemos verdadeiramente. Só assim, germinará a semente e abrirão um dia as suas flores, crescerão os seus frutos, que esses sim, contemplarão o sol e farão as delícias de quem escolhemos ter, também, no nosso exterior.  

Originalmente publicado em "Noticias de Cá e de Lá" edição 42 de 10 de Agosto.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

A Dor do Outro


Conhece certamente a expressão popular “com a dor dos outros, posso eu bem!”. Embora possa ter várias linhas de interpretação, a verdade é que ela pode ajudar-nos também a pensar sobre uma realidade tão assustadora quanto real: nem toda a gente consegue sentir para além de si mesmo. Jovens que espancam e aterrorizam outros jovens, adolescente que tortura o cão (e orgulhosamente publica na Internet), 30 homens que violam uma jovem de 16 anos, e por aí adiante. Parece ir em crescendo, mostrando que o Ser Humano consegue sempre mais um bocadinho de horror a cada passo. O mais fácil seria pensar que se tratam de casos mais ou menos pontuais, ou circunscritos a determinadas realidades, e originados na doença mental, como é o caso da sociopatia, as estruturas de personalidade perversas, ou outras formas de patologia. Mas não podemos ficar-nos por esta análise. Onde fica a intervenção? Como são tratados estes casos para que os horrores não se voltem a repetir? O que é feito a título de prevenção para evitar que o “comum mortal” esteja à mercê do principal predador dos humanos, o próprio Ser Humano? Se grande parte da resposta é, por um lado, institucional, por outro, não podemos esquecer que directa ou indirectamente, somos todos participantes.
Como é que habitualmente reagimos? Assustamo-nos por uns dias, indignamo-nos e ditamos “sentenças” como “era torturá-los a todos”, “era matá-los aos poucos”, “era fazer-lhes igual”, etc. Depois, voltamos à nossa vida “normal”, à espera de ficar indignados com outros tantos horrores que venham a ser noticiados mais tarde. E cada palavra de revolta faz-nos sentir envolvidos, activos e mais humanos. Mas, contas feitas, tudo não passa de um folclore inútil que na realidade nada muda.
Não há volta a dar: a responsabilidade pelo tipo de mundo em que vivemos é de todos nós! A indiferença perante o sofrimento alheio não é exclusiva de pessoas com estruturas de personalidade patológica ou pessoas profundamente adoecidas. Demasiadas vezes, para (sobre)vivermos num mundo de contrastes e ainda com tanta dor, nos defendemos do envolvimento, em nome da nossa própria sobrevivência psicológica, através de um distanciamento artificial. Uma espécie de “não vejo, ou não dói tanto, porque não aconteceu no meu quintal”.

A verdade é que se muitos dos horrores, que nos chocam nas notícias, são protagonizados por pessoas perturbadas e/ou profundamente doentes, existe toda uma responsabilidade a atribuir à cultura, aos hábitos, às mentalidades de quem faz parte do contexto em que essas situações, que mais parecem “filmes de terror”, se desenrolam. Ainda que não tenhamos sempre consciência disso, não intervir perante muitas das coisas que vemos no nosso dia-a-dia, é autorizar que, mais tarde, aconteçam coisas que não queremos ver. Lamentavelmente, também somos culpados quando deixamos que em nós se enraíze o sentimento de “não vale a pena fazer nada”. Provavelmente umas das expressões mais destrutivas do poder Humano, o poder de intervir na “dor do outro”.

Originalmente publicado em "Notícias de Cá e de Lá" nº 41 de 30 de Junho 2016

Incoerências


Na vida, as contradições são muitas, e nem sempre o que se apresenta aos olhos é o mais importante de se ver. Outras tantas vezes, não representa aquilo que realmente sentimos, queremos ou sabemos no nosso íntimo.
E assim, podemos estar muito longe de pessoas que estão ao nosso lado, e muito perto de quem já partiu. Podemos fugir de amar e sermos amados, quando na realidade o Amor é tudo o que mais precisamos e queremos alcançar. Podemos manter-nos sós, quando queremos profundamente partilhar-nos com alguém. Podemos ter medo de morrer,  quando intimamente sentimos que não estamos a viver. Podemos ter medo do que não nos faz mal, submetendo-nos a uma vida de perigosa insatisfação. Podemos acreditar na felicidade futura, desprezando a vivência do hoje. Podemos desejar o amor de quem mais odiamos (e amamos). Podemos querer receber, sem sabermos o que temos em nós para dar.
Com uma grande dose de coragem e um desejo forte de viver plenamente, é para dentro que aprendemos a espreitar. Aí, abrimos espaço para perceber que a verdadeira luta a travar não é contra o mundo, mas é sim interna. E quem se sente só, tem que caminhar em direcção ao outro. Quem se sente vazio, deve dar a si mesmo. Quem aceita viver a tristeza que tem em si, sente-se cada vez mais capaz de alegria. E um mundo que parece tão injusto e tão cheio de incoerências, diz-nos que a vida pode ser também doce e prazerosa. Mas para ter prazer com o que fazemos, temos primeiro que ter prazer no que somos.

Só vive livre quem aprende a encontrar em si, as suas incoerências. Só vive bem, quem aprende a entendê-las. Só vive com poder, quem não aceita render-se. 

Originalmente publicado em "Notícias de Cá e de Lá" nº 40, 10 de Maio 2016

segunda-feira, 2 de maio de 2016

"A Passagem"

 - Um pouco fora de horas, mas gostaria de partilhar convosco este texto que escrevi. Porque muitas "passagens" acontecem ao longo de toda uma vida  - 

Este ano foi difícil para mim desejar às pessoas uma “boa Páscoa”. Porque é difícil pensar no que seria uma “boa Páscoa” quando pelo mundo fora se vêm tantas atrocidades, medo, ódio e ignorância a imperar e a intoxicar a nossa forma de viver. Se é que ainda existe uma forma verdadeiramente livre de viver!
No entanto, e ao que parece, etimologicamente o termo Páscoa, deriva da palavra hebraica "Pessash" que significa “passagem”. E aí lembrei-me de quantas vezes os momentos mais difíceis e dolorosos podem constituir verdadeiros momentos de passagem para uma nova fase, uma nova forma de pensar, sentir, questionar e aceitar. Tudo depende do que cada pessoa faz com esses momentos, bloqueadores para muitos e tão reveladores para outros. A diferença está na capacidade de reconhecer o amor onde ele existe verdadeiramente, e perceber-se a si mesmo e aos outros como merecedores desse mesmo amor. Está na possibilidade de sentirmos que não somos “sós” e que podemos escolher quem nos acompanhe neste caminho.
A Páscoa é, portanto, a celebração também de todos os momentos de transformação. A superação da dor e do desafio. É também acreditar em novos ciclos e numa forma muito especial de renascer em vida. Porque a vida pode ser renovada vezes e vezes sem conta, transformada por um poder pessoal verdadeiramente criador (e que existe em todos nós).
E, por isso, também da dor se fazem novos ciclos, também da dor se fazem crescimento e evolução. 
Povos antigos acreditavam que o coelho era símbolo de fertilidade e renovação. Também os ovos têm um significado de continuidade. Representam o inicio de uma nova vida, estabelecendo a ligação (passagem) das suas raízes, ao futuro e à “vida eterna” através da passagem dos genes.
Por isso, e depois de passada a Páscoa, e com todo o horror, medo e indignação que possamos estar a viver nos últimos tempos, espero que “o coelhinho” continue a tocar todos os nossos caminhos, deixando muitos ovos para abrir, lembrando-nos sempre que, de uma forma ou de outra, todos fazemos parte de um mesmo, maravilhoso e “eterno”, ciclo da vida. 

Cabe a cada um de nós dar-lhe sentido, sempre!

Publicado originalmente no Jornal "Notícias de Cá e de Lá" nº 39 - 1 de Abril 2016

sexta-feira, 4 de março de 2016

"Mãe que é Mãe..."

"Mãe que é mãe, ...", "pai que é pai,...”. Uma expressão tão comum, que mostra bem o quanto ainda padronizamos, cobramos e acreditamos que existe uma forma certa de ser.
Ninguém nasce com aptidão para ser pai ou mãe. Ninguém nasce com os conhecimentos necessários e nem todas as pessoas que têm filhos são Pais (note-se que com letra maiúscula). Ser pai ou mãe não é um mar de rosas, não se faz apenas com o "dom do amor", e muito menos pode ser entendido, mostrado ou vivido através de fotos no facebook, assim como não se explica pela antítese da mãe que mata as suas próprias filhas. 
Não adiro à simplificação do que não é simples. Como se de uma receita para um bolo se tratasse. Tem que se ser assim, fazer “assado” e, com o toque certo e "mágico" das "fadas do lar" (ou da parentalidade), temos as tríades (mãe, pai filho) perfeitas. Porque bom é ter um pai e uma mãe, porque bom é os pais não se divorciarem, porque bom é continuar a ter vida própria, ou porque bom é os pais que abdicam de tudo pelos filhos... tantas coisas boas... e no entanto, o resultado está à vista: uma sociedade deprimida, ansiosa, baralhada! Sabemos avaliar o bom e o mau do que acontece à nossa volta, mas quando toca a gerir a nossa própria condição (leia-se vida), perdemo-nos em nós mesmos, para muito raramente nos voltarmos a reencontrar. 
Não existe a mãe que sou, separada da pessoa que sou. Não existe a família que tenho, separada da vida que levo. Ainda assim, são muitas as pessoas a quererem cumprir-se nos papeis de maternidade ou paternidade, sem pensarem em ser, acima de tudo, pessoas melhores.
Creio que no dia em que deixarmos de nos viver em "partes de coisas" melhores, e nos concentrarmos antes em ser pessoas inteiras (e inteiramente melhores), mais saudáveis e mais equilibradas, aí sim, poderemos começar a confiar mais nos pais e nas mães deste mundo em que todos coexistimos. 
Assim como existem pais e mães que nunca o deviam ter sido, existem pessoas muito pouco "humanas". À parte tudo isto, existe um sistema montado, cuja a função é proteger quem dele precisa. Mas também este, é feito de pessoas, não é?!

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Tirar a Máscara

Ninguém chega a adulto, sem ter sido criança. Assim como ninguém vive realidade sem existir em si fantasia. Podemos, sim, dizer que existem muitas formas de infância (umas melhores e outras bem mais duras), assim como existem muitas formas de olhar a realidade e dar espaço à fantasia na nossa vida. Em grande medida, no caminho que fazemos do período de infância – onde a fantasia corre livremente e enriquece toda a experiência que fazemos da realidade – até chegarmos à vida adulta – onde reinam o interdito, o inadequado, a vergonha e a condenação social – aprendemos a domar (e esconder) muito do que não deixa de ser também da nossa essência.
Em todos nós, existe um mundo secreto que por vezes até o próprio tem dificuldade em conhecer, aceitar e perceber. No dia a dia, vêm-se as mascaras que usamos, acreditando estar assim a viver mais próximos das regras sociais, mais próximos do que os outros esperam de nós, acreditamos desta forma estar mais protegidos. No cofre, mantemos os nossas desejos ou necessidades mais íntimas, aquelas que acreditamos não poderem (ou deverem) ser concretizadas.
Muitas pessoas esperam cuidadosamente pelos momentos em que acreditam estar sujeitos a uma menor censura social, como nas festas, ou em momentos em que adormecem a sua própria censura através do consumo de álcool, para se libertarem. E o Carnaval é, nesse sentido, a festa por excelência, da fantasia e libertação. 
Ao contrário do que poderíamos pensar, o Carnaval é, para muitos, mais do que um vestir de uma máscara, a possibilidade de despir as muitas que se carrega ao longo do ano. Em vivência de brincadeira, simples alegria ou grande euforia, neste período do ano, as pessoas permitem-se brincar novamente tal como o fazem livremente as crianças. Outras ainda, aproveitam para viver em si mesmas o que não se permitem viver o resto do ano. Como se de uma pausa na vida se tratasse, para regressar à "realidade" no dia a seguir. 
Festejar, sentir alegria, animação e viver com criatividade podem ser componentes reais do nosso dia a dia. Tenho para mim que se as pessoas se permitissem viver mais plenamente, cumprindo-se mais ao longo do ano, com mais verdade e liberdade, ainda que em equilíbrio com as primordiais (e apenas estas) regras pessoais e sociais, o Carnaval duraria bem mais do que três dias. Porque na realidade, e felizmente, a vida são muito mais do que dois dias. Resta saber se temos espaço na nossa vida para divertimento e alegria, sem que para isso tenhamos que usar uma máscara.

Autor: Ana Guilhas
Originalmente publicado em: Notícias de Cá e de Lá (edição nº 37)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

O Natal em Nós

Comemorar uma data. ainda que possa servir para pensar, traçar ou celebrar um futuro, remete na grande maioria das vezes para a lembrança de um passado. No aniversário, celebramos o dia em que nascemos. Ainda que nos leve a pensar em todos os dias mais que queremos ter na nossa vida, a verdade é que estamos a festejar os que já passaram. As datas históricas permitem-nos fazer o ponto da situação, pensar no como era antes, no que passou a ser depois, e permitem-nos relembrar acontecimentos que nos trouxeram até ao ponto em que nos encontramos hoje. Com o Natal não é diferente. Mas o Natal, tem o poder mágico de nos transportar ao nosso interior, ao Natal que há em nós. Porque na verdade, não existem dois Natais iguais para ninguém. Esta data, quer queiramos quer não, tira-nos do agora e tem o dom de nos transportar para as nossas vivências de amor, ou falta dele, de alegria, ou de tristeza, leva-nos ao encanto e à ilusão, ou ao medo e à frustração. As luzes, as músicas, as pessoas ou simplesmente um respirar de Natal, e activam-se em nós sentimentos. E de repente, choramos quem queríamos ter ao nosso lado, relembramos o melhor e o pior dos Natais da nossa vida, e por instantes, voltamos a sentir a nossa infância. Inundamo-nos de sensações, que podem ter tanto de rico quanto de angustiante. 

Há quem se irrite com as músicas, quem se enterneça, quem se entristeça e quem se anime. Há quem adore as decorações e o movimento, outros acham esta época pirosa e consumista. Algumas pessoas não param de pensar na trabalheira e na quantidade de coisas para fazer. Outras brilham com a ideia das festas, dos doces e dos presentes. A verdade é que há Natal para toda a gente. Cada um espelhando as nossas vidas (prática, física e emocional). Pode ser melhor ou pior, mais abundante ou em escassez. Mais voltado para o consumo ou solidariedade, mais para a religião ou família. Aceitando-o nas nossas vidas ou rejeitando-o completamente, não podemos sair de casa, ligar a televisão ou pura e simplesmente accionar a memória, sem que ele esteja lá, para como bom espelho que é, nos mostrar um pouco do que temos cá dentro... Para nos mostrar um pouco, o que ainda queremos ter e quem sabe, um dia ainda queremos vir a Ser. 

Se para muitas pessoas o Natal é o confronto entre o desejo e medo de ser feliz, então que esse desejo possa ser mais forte que o medo, para que assim, a cada Natal, possamos estar cada vez mais próximos de nós mesmos e de todas as pessoas que queiramos verdadeiramente ter ao nosso lado.

Boas Festas.

Originalmente publicado no Jornal de "Notícias de Cá e de Lá". Edição de Dezembro

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

"De terroristas e de loucos..."

Partilho um texto que escrevi em Janeiro de 2015 e que, infelizmente, volta à actualidade.

Quarta-feira, 7 de Janeiro, a tragédia de Paris confronta uma Europa, já de si tão ocupada a (di)gerir as suas trapalhadas económicas, com mais um desafio! Ainda que não represente uma realidade completamente nova, o violento ataque ao jornal satírico "Charlie Hebdo”, por ter acontecido no “nosso quintal”, põe a descoberto uma vulnerabilidade que nos obriga a todos a reflectir e a posicionar-nos perante realidades que tantas vezes preferimos ignorar. Como forma de nos sentirmos mais seguros, é muito fácil classificar os responsáveis por tais actos de loucos e/ou psicopatas. Queremos acreditar que loucos à solta por aí, apesar de tudo, não devem ser tantos assim!
No entanto, entenda-se que sociopata (o termo mais correcto) é uma coisa, e terrorista, é outra bem diferente. É verdade que existirão sociopatas que são terroristas, mas é também verdade que muitos terroristas não apresentam necessariamente traços de doença mental e, tirando o discurso que reflecte a sua ideologia, não se conseguem perceber “anormalidades”. Quer isto dizer que não podemos definir um perfil tipo, embora não se possa negar a existência de dimensões psicológicas subjacentes. Tanto mais se pode afirmar isto, pelos contornos de frieza e crueldade de que se reveste o crime. 
Acresce que estas pessoas nasceram e cresceram em França. País de acolhimento de seus pais, e ao qual não hesitam em dirigir o seu ódio. Há pois que saber que terroristas nascidos e educados em contextos de morte e de raiva e cuja estrutura mental é dominada por valores radicalmente diferentes dos nossos, é um fenómeno bem diferente de terroristas nascidos e educados num país ocidental, no qual a informação circula e “transborda”. 
Este é um risco que assiste a todos os jovens franceses? É natural pensar que necessariamente estas pessoas, estavam de alguma forma mais vulneráveis, zangados. Podemos imaginar que eram dotados de pouco sentido crítico e de capacidade de dialogo. Parece-me certo que estes homens terão histórias pessoais muito particulares. Estes ingredientes, aliados aos seus valores e crenças, serão a receita ideal para a tragédia.
Se olharmos nesta perspectiva, fica então a descoberto, o insucesso de toda uma estrutura que se quer sólida. Família, escola pública, sociedade e política falharam! Apressamo-nos às armas, alianças e acções conjuntas. Mas se queremos dar resposta a este atentado, então não será também aí que deveremos intervir?
Não quero, de todo, com isto desresponsabilizar cada um dos elementos envolvidos. Estamos a falar de homens treinados militarmente e de uma acção planeada e premeditada. Convido-vos sim, a uma reflexão mais alargada, na qual nos permitimos olhar para o papel de todos e de cada um.
É fácil indignarmo-nos e gritarmos por valores mais altos e nobres como liberdade, tolerância e respeito pela vida humana. Mas eu não posso deixar de pensar na forma como estes valores existem na sociedade e em cada um de nós. Terão sido interiorizados mecanicamente? Fruto de uma pressão e evolução social, ou serão mesmo nossos intrinsecamente vividos e sentidos? Farão parte da nossa essência?
Confesso que me assusto de cada vez que leio comentários a artigos e/ou opiniões veiculadas na internet. Assusta-me sempre que se ferem ou matam pessoas porque eram adeptos de outros clubes. Assusta-me sempre que se humilha, ameaça ou diminui alguém apenas porque é diferente de nós. Assusta-me que se olhe com uma “indignação indiferente” para a miséria, injustiça e sofrimento alheio. Será caso para relembrar que “de terroristas e de loucos, todos temos um pouco?”.

Originalmente publicado na edição 28 do
Jornal  "Notícias de Cá e de Lá" (31 de Janeiro de 2015)

"Eu quero. Talvez. Não sei..."

É muito fácil dizer "eu quero" ou "eu penso". Difícil, é querer mesmo. Difícil, é pensar livremente sem a "poluição" dos todos os nossos medos, fantasmas, culpas e limitações (auto-impostas). Parece-me infelizmente que, nos dias que correm, existe muita vontade e muito pouco querer. Ouvem-se muitos "quero mudança", "quero estar mais feliz", "quero ter mais", que parecem situar-se ao nível de um "querer" infantilizado, em que a criança espera que alguém, que não ela, faça os seus desejos se realizarem. Isto porque quando perguntamos a algumas pessoas (dadas a "fortes" desejos) o que estão a fazer efetivamente para alcançarem o que pretendem, percebemos que, na realidade, é um absoluto NADA.

Contudo, não deixa de ser interessante analisar esse "nada". Porquê o esforço, quando, na realidade, podemos apenas ligar o "queixómetro" e sentirmos que de repente parece que temos alguma coisa a dizer? É como se às vezes as nossas dificuldades nos dessem temas de conversa. Razões para falarmos e estarmos com o outro. Se não tivéssemos problemas do que é que falaríamos então? De coisas verdadeiramente úteis? (isso não, credo!) O problema é que queixarmo-nos dá a sensação de que estamos a fazer alguma coisa por nós. E criamos a ilusão de que estamos a receber alguma coisa da parte do outro. 

Na verdade, criar momentos de partilha, intimidade e verdade, com as pessoas de quem gostamos é importante e pode ser muito útil. Mas isto, se o fizermos com o objectivo de construir pensamento, confrontar realidades e possibilidades, para depois avançar para a acção. Essa acção, só pode ser nossa. Não tenhamos ilusões. Nem eu resolvo os problemas do outro, nem o outro resolve os meus problemas. Só o próprio, com a força do seu querer (o verdadeiro) e com o poder do seu pensamento, escolhas e acção é que pode transformar a sua vida.

Na realidade, parece-me que a grande maioria das pessoas até já percebeu isto, no entanto, muitos ainda se vêem presos a uma crença íntima de que um dia, um qualquer super-herói (ou milagre) o irá salvar de si mesmo e da sua inacção. Isto, para descobrir mais tarde (às vezes mesmo bastante tarde) que ninguém salva ninguém. Nós somos o nosso próprio super-herói. E se é verdade que os super-heróis podem agir em conjunto (tipo “Os Vingadores”), a verdade é que cada um tem que fazer uso de si mesmo, da sua acção e do seu poder.

Mas primeiro, se calhar temos que avaliar bem as nossas posições. Os nossos verdadeiros desejos, os nossos verdadeiros ideais. É preciso sabermos exactamente onde é que cada um de nós está, e onde é que queremos verdadeiramente estar enquanto pessoa, enquanto ser individual, capaz de escolher livremente, e para o seu bem pessoal.

sábado, 22 de agosto de 2015

Juízes, Advogados e Carrascos


O Ser Humano vem ao mundo como um Ser genuíno, verdadeiro na sua essência, nas suas necessidades e desejos. Está programado biologicamente para o sucesso, para a sobrevivência, para a vida. Come, chora, grita e sente uma necessidade "básica" de ser profundamente amado. A sua inteligência biológica sabe que a sua sobrevivência está dependente de ser desejado, aceite e, consequentemente, protegido e cuidado pelos seus progenitores. Sabe também, à partida, que vai ter que fazer algumas concessões, ainda que isso possa ter custos muito elevados. 

Vem também dotado de um potente e extremamente complexo aparelho psíquico, que o distingue dos outros animais e determina a sua existência psicológica (muito para além da sua existência física). É também esse aparelho que assegura, simultâneamente, a função de sobrevivência, e a condenação ou a absolvição, numa vida de julgamento permanente. 

Desde logo, os olhos do bebé confundem-se com os olhos da sua mãe (até acredita, inicialmente, que ele e ela são um só). Mas se os seus olhos são puros, os da mãe dificilmente o serão. Esta mãe, carrega em si mesma o amor (ou a falta dele) que um dia viveu como filha, os fantasmas, os medos, as expectativas e todas as verdades, meias verdades e mentiras que assumiu para si mesma ao longo de vários anos de vida. E é com estes olhos, por vezes já muito sofridos, entristecidos, outras vezes esperançosos e cheios de amor, que as primeiras verdades do bebé se encontram. E é aqui que, o seu aparelho psíquico, começa a construir o seu sistema judicial interior. Começa a recrutar os seus juízes, advogados, imprime em si mesmo as (suas) primeiras "Leis da Vida". 

De onde vêm estas Leis? Como é construído o seu código? Até que ponto representa genuinamente a sua verdade? Até que ponto está em sintonia com a sua "Constituição"? Podemos até acreditar, ou tentar fazer parecer, que este tribunal serve para avaliar os outros - o que fazem, o que são, o que merecem de nós. Mas, na realidade, existe um, e um só, réu permanente, e é o próprio. Quanto mais duro o tribunal, maiores serão as nossas penas. Mais tempo viveremos condenados e aprisionados em nós mesmos. Longe, muito longe (pensamos nós) da pureza, do impulso criador e do desejo de um amor que cuida, protege e nutre, com que chegámos a esta vida.

Originalmente publicado no Jornal de "Notícias de Cá e de Lá", nº 33.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Esta agressividade, que é nossa...

[Deixo-vos uma reflexão escrita para a rúbrica "Com sentido" do Jornal "Notícias de Cá e de Lá".]

Tortura, violência, humilhação... tem surgido de tudo um pouco ultimamente, em casos isolados, repetidos sadicamente e até à exaustão pela comunicação social. Notícias, que passam muito rapidamente para a versão “telenovelas”, deixam no ar uma sentimento de indignação, raiva e medo. O foco está colocado em duas jovens aqui, um jovem ali, um polícia acolá. A mim, assusta-me mais as milhares de pessoas que acorrem às portas dos tribunais e às redes sociais insultar, ameaçar em tons de violência por vezes até superiores aos actos que condenam! Preocupa-me que se tratem humanos como coisas e que se consiga conviver “pacificamente” com o sofrimento alheio (por vezes na porta da frente) mas que se reaja a acontecimentos a quilómetros de distância, como se nos tivessem acontecido a nós, só porque os vimos na televisão ou nas redes sociais. A forma como determinados criminosos agem, diz muito deles. A forma como nós reagimos a isso, diz muito mais de nós.

O melhor de tudo isto, é termos à nossa frente uma grande oportunidade para olhar, reflectir e tentar perceber o que é que afinal se está a passar connosco colectiva, mas também individualmente. Tanta evolução parece afastar-nos dos tempos “negros” da Humanidade em que pouco mais parecíamos ser, que bichos. No entanto, aqui estamos nós, confrontados mais uma vez com a realidade de que por mais "verniz" que se coloque, quando este estala, o que fica à vista de todos, é tudo menos bonito. 

A história da Humanidade mostra bem do que somos capazes de fazer pelo bem e pelo mal. Evolução? Parece-me a mim que nos agarramos a uma agressividade muito nossa, a impulsos de destruição que continuam cá bem guardados. Veja-se a forma como cuidamos deste planeta, que não é senão a nossa própria “casa”. Não faz mal destruir, agredir, ameaçar de morte, insultar, roubar, desde que se creia ter uma "justificação" ou se acredite ficar impune. Só isto explica que pessoas “comuns” entrem num armazém e se apropriem de bens alheios com a descontracção de quem vai ao supermercado. 

Ao contrário do que queremos acreditar, não parece haver um trabalho real de evolução saudável da Humanidade, que nos permita canalizar a nossa agressividade natural de forma construtiva para a criação, para a iniciativa, para a capacidade de transformar e mudar a realidade à nossa volta para melhor. 

E isso é triste para todos nós.

Publicado originalmente no Jornal "Notícias de Cá e de Lá" nº 32, 30 de Junho de 2015.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Amor Fácil?!

Era tão bom se o amor fosse fácil?

Não! Não era! O amor não foi feito para ser fácil. Mas a verdade é que o amor também não foi feito para ser doente...

Pois é, um amor romântico, dos filmes ou dos livros, em que a relação é perfeita e o mundo é que não. Em que tudo correria bem, não fossem as ameaças externas, os desencontros provocados pela vida ou por malvadez alheia, não existe.

O amor só pode ser vivido na relação. E a relação é uma construção. Cada tijolo dessa construção é de fabrico caseiro, e é feito do mesmo “material” de que nós somos feitos. A relação que se constrói é assim, apenas e tão só, o reflexo do que cada um dos envolvidos tem em si para dar e construir. A relação é tão sólida quanto a solidez de quem ama, tão saudável quanto a saúde de quem ama, tão inteira quanto a existência de quem ama.

Então quando é que a relação faz sofrer e destrói? Quando nos dói o íntimo e sofremos escondidos. Quando nos ligamos ao outro na esperança de que nos dê aquilo que acreditamos não ter, ou que nos ajude a ultrapassar os fantasmas do passado, ainda que apenas os acorde e reforce ainda mais. Quando carregamos um vazio e vemos no outro o preenchimento. Mas aí, o outro deixa de ser o outro e o eu deixo de ser eu. E se não existimos, não podemos amar. Apenas depender, sofrer e fingir uma esperança que não existe.

Amores doentios, são feitos de necessidade, medo de perda, posse. Imperam os ciúmes sem sentido, a desvalorização, humilhação, a necessidade de modificar o outro na sua essência. A luta faz-se entre os medos infantis e irracionais de cada um. Pessoas incompletas procuram exorcizar os seus fantasmas na relação. O resultado é medo, dor, sofrimento, violência...

Amores saudáveis, implicam afecto, admiração, consideração e respeito de parte a parte. Mesmo na diferença, mesmo nas divergências. Implica que cada um se ame a si mesmo, e veja no outro o reflexo desse amor-próprio. O vínculo é de lealdade e não de pertença. Implica zangas, discussões e descontentamento, também. Mas aqui, com aprendizagem, tolerância e crescimento conjunto.

O amor patológico faz um caminho que vai da paixão à insatisfação ou ao caos. O amor maduro, parte da paixão e segue pelo caminho do ajuste, criatividade e construção.

O amor não se quer simples, nem linear porque o amor é uma força criadora e transformadora. Isso, implica a diferença que dá movimento e que não cola mas complementa.

Publicado originalmente no jornal "Notícias de Cá e de Lá" nº 31, de 3 de Junho.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

7 razões porque é que é tão difícil mudar!

Para todas as pessoas, e pais em particular, que estão a tentar mudar, deixo-vos aqui este texto publicado originalmente no meu facebook. Pode lê-lo também aqui.
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Porquê que reclamamos muito e mudamos pouco? Já pensou sobre isso? Porque é que às vezes temos este sentimento de desejo de mudança e logo de seguida reprimimo-lo com desculpas, razões e tudo o mais que nos ajude a justificar que continuemos “presos” a situações que não nos fazem bem, ou por vezes até, nos fazem mal. Muitos dos padrões que repetimos nas nossas vidas, são adquiridos nas relações precoces, com os nossos pais, outras vamos desenvolvendo ao longo da nossa vida, construindo fragilidades sobre fragilidades. De repente, percebemos que estamos presos. E acreditamos que já não conseguimos sair.

Porque é difícil mudar?
1.    Temos medo do desconhecido, do que vem a seguir. Mais ainda, medo de não se seguir nada e ficar um vazio. É, fundamentalmente, um problema de imaginação. Porque só conseguimos imaginar a partir do que já vivemos ou já existiu e não conseguimos visualizar algo novo e diferente dos nossos “velhos” padrões.
2.    Aceitar o novo, implica desistir do velho. E a verdade é que o velho, para nós, é também o seguro. Ainda que desagradável ou desconfortável, é seguro. Para algumas pessoas, isso é precioso. O que vem a seguir à decisão de mudança, é uma infinidade de possibilidades. Isso é o melhor do “novo”. É que é uma possibilidade de nos (re)conhecermos e nos (re)construirmos. Assim tenhamos nós a coragem para o fazer.
3.    Achamos que é mais fácil pôr uma coisa antiga a funcionar, do que aprender a “manejar” uma nova. A questão é que se fosse fácil, já estaria a funcionar. Se não dá sinais de melhorar, então talvez tenha chegado a hora de aceitar que é assim que vai continuar a estar - "avariado". Ter medo de não conseguir funcionar com o novo, é como deixar de provar alimentos, que nunca comemos antes, porque não sabemos se os vamos digerir bem.
4.    Por uma espécie de teimosia ou ingenuidade - “Estou há tantos anos a tentar mudar isto (sem sucesso), não vai ser agora que vou desistir”. No entanto, diz um ditado chinês que “insanidade, é repetir várias vezes a mesma coisa e esperar um resultado diferente”.
5.    Achamos que vamos ficar em défice ou perda. Porque não vamos receber daquela situação o que esperávamos receber. Para seguir em frente, é necessário aceitar que já não vamos retirar dali o que idealizámos. E como é difícil aceitar isso! Sentimos que saímos “de cena” com saldo negativo. Isto acontece porque estamos focados no que efectivamente não recebemos. A verdade é que tudo o que de bom e de mau foi vivido, não desaparece. Foi real e gerou sentimentos, emoções e aprendizagens. Estas, vêm connosco, assim como todas as memórias. Neste ponto de vista, estamos,“contas feitas”, sempre a ganhar.
6.    Ficar indefinidamente numa situação, ou num padrão que nos faz mal, é muitas vezes também, ter medo do sucesso. Ou porque achamos que não o merecemos, ou porque achamos que ter sucesso é “demasiada areia para o nosso camião”. Aqui, só uma boa dose de auto-conhecimento e de amor-próprio, podem ajudar.

7.    Porque achamos que somos mais fracos e impotentes, do que o que verdadeiramente somos. E quanto menos nos permitimos colocar-nos à prova, mais cresce este sentimento de incapacidade. Muitas vezes, só quando a própria vida decide lançar-nos um desafio é que descobrimos que afinal até somos capazes de mais. Muito mais!

terça-feira, 7 de abril de 2015

Os Dois Pilares de uma Manhã Tranquila

Para que uma família possa viver as suas manhãs de forma mais tranquila, é importante que invista em dois eixos fundamentais: a organização e a conexão. O primeiro vai permitir rentabilizar o tempo ao máximo e reduzir a confusão matinal. O segundo, vai promover a colaboração de todos os elementos e alimentar o sentimento de harmonia.

Gerir as manhãs de forma organizada:

-  A manhã prepara-se na véspera. Um dos aspectos que o vai ajudar a ter uma manhã mais tranquila é sem dúvida deixar preparado na véspera, tudo o que for possível (p. e. as roupas que vão vestir, a mesa de pequeno almoço, mochilas, lanches, etc.).

Deitar cedo, para que tenha uma noite de sono verdadeiramente reparadora, vai tornar mais fácil o acordar. Vai também deixar os elementos da família mais bem dispostos e activos pela manhã. Esta regra é válida para os adultos também.

- Seja a/o primeira/o a acordar. Se o horário actual tem sido "apertado", então vá antecipando a hora de acordar até que tenha acertado com o horário ideal para a sua família. Lembre-se que as horas da manhã não podem ser esticadas, mas a hora de ir para a cama, essa sim, é definida por si. É preferível ir para a cama mais cedo e acordar mais cedo, do que desgastar as relações familiares em manhãs carregadas de stress e gritos. O seu bem estar e o do seus filhos agradecem!

- Estabeleça uma ordem de tarefas. Esta organização deve ser adaptada a cada família e pode tornar-se mais flexível com o desenvolver da responsabilidade, autonomia e capacidade de organização das crianças. Um exemplo para uma família com ambos os pais disponíveis pela manhã seria:

  • Os pais acordam antes dos filhos e preparam-se.
  • Acordam as crianças. 
  • Um dos pais ajuda as crianças a vestirem-se e a pentearem-se, enquanto o outro prepara o pequeno almoço. 
  • Comem todos juntos. 
  • Lavam os dentes e preparam os detalhes finais. 
  • 15 minutos para brincar/estar com as crianças. 
  • À hora combinada sair. 

- Dependendo das idades da ou das crianças, pode ser interessante ter uma lista interactiva das tarefas matinais a cumprir. Assim os filhos podem organizar-se autonomamente sem que os pais tenham que repetir 20 vezes o que falta fazer. Aqui, entra em acção a sua criatividade!

-  Contrarie a tendência natural que temos de deixar para o fim o mais difícil ou exigente. Para não cair nessa "armadilha" tenha em mente que essas são precisamente as tarefas que deve assegurar que ficam "despachadas" o quanto antes (p. e. deixar pronto o filho mais novo ou pentear cabelos encaracolados).

- Mantenha o foco no momento presente e no que deve fazer para que este corra pelo melhor. Deixe os problemas do trabalho para quando lá chegar. Evite tudo o que possa fazer fora deste período matinal, como por exemplo chamadas telefónicas. É importante também que ajude os outros elementos da família a fazerem o mesmo. Sobretudo as crianças pois é muito fácil perderem-se nas tarefas ou deixarem-se ficar pelos momentos de brincadeira.

Investir na conexão com os seus filhos e companheiro/a:

- Para que tudo corra pelo melhor, não se esqueça que simpatia e boa disposição podem começar por si e pelas suas palavras. Apresente as opções e pergunte à ou às crianças o que é que lhes apetece comer e assim vai evitar conflitos de "quero, não quero". Ao pequeno almoço, se conseguirem estar todos juntos, pode ser interessante conversarem sobre os planos que cada um tem para o seu dia.

- Reserve um tempo para brincar e estar com o(s) seu(s) filhos(s). Muitos dos conflitos matinais, devem-se à falta de colaboração das crianças, que se sentem frustradas e desconectadas dos pais. Estes minutos podem ser combinados no início da rotina ou no final, consoante as idades das crianças e a organização da família. Com filhos mais crescidos, estes minutos podem corresponder a uma boa e divertida conversa ao pequeno almoço. O que importa é que sintam os pais presentes e disponíveis (as correrias e os gritos fazem sentir o contrário).

- Compreenda que as crianças não têm uma noção de tempo igual à dos adultos e, até certa idade, não conseguem entender a rigidez de um horário. Cabe a si, adulto/a, ajudá-las a entender e desenvolver esta capacidade (respeitando a fase de desenvolvimento em que a criança se encontre). E cabe a si, compreender os conflitos e desfasamentos que isto possa causar, criando condições para que sejam superados. Acompanhe, explique e defina estratégias e limites, mas, sobretudo, deixe claro que entende o que o seu filho é, e ainda não é, capaz de fazer.

Lembre-se que as manhãs são o primeiro momento do seu dia. São o primeiro "sabor". Se quer ter um dia agradável, é importante que comece com uma manhã agradável. Para os seus filhos, chegar à escola tranquilamente, animados e cheios de sentimentos positivos, deixa-os livres para se concentrarem e investirem no dia de escola que têm pela frente. Na situação contrária, necessitarão de processar os sentimentos de frustração, zanga e injustiça de uma manhã apressada e tensa.

Boas manhãs!

quarta-feira, 25 de março de 2015

Comunicação que Reforça a Auto-estima da Criança

Felizmente, muitos pais parecem preocupar-se hoje e cada vez mais, com o desenvolvimento emocional dos seus filhos. Durante muito tempo imperaram os aspectos funcionais da educação da criança, com particular preocupação pelo cumprimento de regras, o respeito aos pais (e adultos em geral), e a adaptação mais ou menos forçada à estrutura social. 

Hoje sabe-se que educar é tão mais do que isso!

Hoje sabe-se que da educação dada na infância, e mais até, da relação estabelecida na infância entre pais e filhos, depende a felicidade presente e futura da criança. Sabe-se que, se por um lado, é importante que a criança tenha a capacidade de respeitar e de se adaptar a um contexto social no qual deverá integrar-se, por outro, essa adaptação deverá ser feita também em função das suas próprias necessidades. Só assim poderá sentir-se em estado de equilíbrio e bem estar, com todas as consequências positivas que isso acarreta em termos pessoais e sociais.

Os pais compreendem, cada vez mais, que esse bem estar e desenvolvimento saudável passa também, para além de muitos outros factores, por crescer com uma boa e forte auto-estima. O que por vezes ainda causa dificuldades é sabermos como chegar lá. Para que os nossos filhos tenham uma boa auto-estima, não basta desejá-lo. São muitas as dimensões que entram “em jogo”, como o sentir-se amado incondicionalmente, sentir segurança, reconhecimento e conhecer as regras da estrutura da qual se faz parte.

Todas estas dimensões são vividas e adquiridas essencialmente através da relação, e sabemos que relação e comunicação estão intimamente ligadas. É por essa razão que hoje se assume cada vez mais, e de forma cada vez mais esclarecida, a importância da comunicação (e em particular das palavras) na construção do universo mental da criança. Dependendo do tipo de comunicação dominante, os pais poderão ajudar a desenvolver a capacidade de fazer escolhas, o sentido crítico, a autonomia e poderão ensinar a criança a ser boa para si mesma. E como “bónus”, há que considerar que uma pessoa que se ame genuína e profundamente tem em si a capacidade de amar os outros.

O que tem a nossa comunicação que transmitir e/ou promover para que os nossos filhos possam então desenvolver uma boa auto-estima? 


Bem, um dos aspectos fundamentais, será que a criança consiga valorizar a (construção da) sua própria opinião, mais do que limitar-se a fazer uma colagem à opinião dos “crescidos”, e mais tarde, dos amigos. Por outro lado, será fundamental que se sinta livre para exprimir e compreender as suas próprias emoções.

Uma das chaves de uma comunicação (interna) segura, é a capacidade e o hábito de colocar a si mesmo a questão “como é que eu me sinto nesta situação?”. E como tal, é desejável que os pais ajudem a criança a desenvolver este mecanismo. Assumindo numa fase inicial esse papel no lugar da criança e adaptando gradualmente o discurso, à fase de desenvolvimento em que a criança se encontra. Para um bebé, fará mais sentido dizer algo como “deves estar mesmo zangado por te terem tirado o brinquedo!”, até chegar uma altura mais tarde em que bastará apenas perguntar “e como é que esta situação te fez sentir?”. Quando este tipo de comunicação é estabelecida e os próprios pais costumam exprimir os seus sentimentos, a criança cresce adquirindo o hábito de integrar as emoções no seu discurso de forma natural.


Aspectos centrais de uma comunicação que reforça a auto-estima

1. Exprime amor incondicional, ou seja, as manifestações de afecto são independentes do comportamento e resultados que a criança obtém no dia a dia (por exemplo os resultados escolares);

2. Valoriza a opinião da criança mais do que a colagem e/ou reprodução da opinião dos adultos.
3. A escuta é activa. Os pais fazem perguntas para perceber melhor o que a criança está a contar. 
4. O adulto ouve sem corrigir e sem minimizar as preocupações da criança.
5. O adulto não se apressa a resolver os problemas ou a dar respostas. Explora sim, alternativas e opções com a criança.
6. Ajuda a criança a exprimir, aceitar e compreender as suas próprias emoções.
7. Não é intrusiva, e reconhece que a criança não tem que contar tudo, tendo liberdade para guardar algumas coisas para si mesma.

No limite, podemos considerar que educar uma criança é, antes de mais, acompanhá-la, mostrando-lhe que é aceite e pode aceitar-se a si mesma tal como é, fazendo as suas próprias escolhas, e acolhendo em cada situação as suas próprias emoções. É ensiná-la a geri-las com compreensão, tolerância e sabedoria. É também mostrar-lhe todos os dias que, ainda que estejamos cá para ela, confiamos na sua capacidade para ir construindo o seu caminho, cada vez mais por si mesma. 

E isto é Amor!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Dica para pais perfeitos!


Muitos pais desabafam que, depois de muito ler e aprender, já sabem como é que devem agir perante alguns comportamentos dos seus filhos, mas que, ainda assim, em muitos momentos, não conseguem agir em conformidade.

1º - A crença de que é possível reagir sempre bem, ou da melhor forma, é utópica e muito pesada. É preciso aceitar em nós a imperfeição, pois isso é ser "perfeitamente humano"! Saber que os seus pais não são perfeitos e perceber assim, que também ela não precisa de o ser, é tremendamente libertador.

2º - Conhecimento (racionalidade) e acção são mediados por emoção. E mais do que saber como devemos agir, é importante cuidar do nosso próprio "sentir" como pais sim, mas principalmente como pessoas. Se não estamos emocionalmente bem, dificilmente teremos disponibilidade mental para aceitar, compreender e encontrar soluções para as diferentes situações.

3º - Um dos erros na forma como os pais reagem ao comportamento dos filhos, é o de se focarem mais no comportamento do que nas suas causas ou significado. Pois o mesmo acontece aqui. Mais do que o que fazemos, e como fazemos, é importante perceber de onde partem as nossas práticas. Estas, são consequência da forma como nos relacionar com as pessoas à nossa volta (o que inclui os nossos filhos). Ou seja, o segredo está em, mais do que usar o conhecimento para mudar os nossos comportamentos, usar esse conhecimento para nos conhecermos melhor a nós próprios e aos nossos filhos e assim mudarmos a forma como nos relacionamos. Isto porque se nos focarmos em transformar a relação, as nossas respostas não precisarão de ser pensadas e nunca estarão erradas. Serão sempre as respostas que a relação que temos nos permite dar.

Em suma, a questão não é se os pais agem sempre da melhor maneira perante os comportamentos dos filhos, mas sim, se se estão a relacionar com os seus filhos da melhor maneira.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

"O que há em mim que alimenta o meu cansaço?"

Atrever-me-ia a dizer que a maior parte das pessoas não sofre do cansaço proveniente de um dia atarefado e cheio de actividades. Não são poucas as pessoas que começam o dia bem cedo, têm filhos, trabalhos exigentes, cuidam das tarefas domésticas e ainda têm tempo para actividades desportivas ou de lazer. É impressionante, mas dificilmente essas são as pessoas que se vão queixar de uma espécie de cansaço crónico e constante. Dificilmente serão essas pessoas que se vão queixar de acordar de manhã já com uma certa sensação de falta de energia. Como se as coisas que têm para fazer nesse dia, começassem desde logo a esmagá-las.

Do que me é possível perceber, as pessoas mais cansadas, são, na realidade, as pessoas que se confrontam diariamente com tarefas emocionais. E que, diariamente, se confrontam com um desejo de mudança que não se concretiza. O que nos cansa verdadeiramente? O desejo de que algo em nós e na nossa vida mude, quando em simultâneo, acreditamos que isso não vai acontecer.

Alguns dos maiores sugadores de energia nas nossas vidas são:
- Acreditar que temos pouco poder sobre as coisas que acontecem na nossa vida;
- Acreditar que deveríamos ser melhores e fazer melhor do que o que fazemos. A exigência excessiva, rígida e desmesurada é um aspirador gigante de energia (seja auto-dirigida ou dirigida a outros);
- Travar lutas no exterior que pertencem ao interior. Isto acontece quando negamos o nosso estado emocional e o projectamos nos acontecimentos à nossa volta (p. e. quando saio de casa zangada e culpo o trânsito, a antipatia das pessoas, os buracos na rua pela causa do meu mal estar. Ou se estou deprimida e digo que é o frio, a chuva ou os meus colegas que nem notaram que cheguei ao trabalho);
- Estados emocionais como a tristeza, zanga, raiva, ressentimento, também são "bons" sugadores de energia;
- A falta de recursos como a assertividade, capacidade de pedir ajuda, definição de metas, auto-estima e gratidão;
- Querer cumprir as expectativas que os outros têm relativamente a nós ou dar demasiada importância ao que os outros pensam.

Tirando todos estes factores, é importante percebermos porque é que algumas pessoas parecem manter-se em estado de desorganização permanente. Não se esqueça que, simplificar a vida é aproximar-se de si mesmo(a). Será que está preparado(a) para isso? Quer verdadeiramente abrir esse espaço?

Em suma, nós alimentamos o cansaço e o cansaço alimenta-se a si mesmo quando nos recusamos a olhar para aquilo que verdadeiramente está na sua origem. Não vale a pena combater as limitações que encontramos no exterior se não ultrapassarmos primeiro as nossas próprias limitações. Se queremos ultrapassar o cansaço, de uma vez por todas, então temos que o reconhecer como sendo fundamentalmente de origem emocional. E, é aí, nas emoções que o mesmo se trabalha e ultrapassa. 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

"Pais seguros, procuram-se!"


É pai? mãe? Como é que vive o seu papel? Como se sente e vive o exercício da sua parentalidade? Ultimamente tenho estranhado a forma como alguns pais se sentem meio perdidos, procurando respostas aqui e ali, procurando apoio de outros pais, amigos, técnicos, gurus... Não vejo que isso seja mau. Procurar saber mais, conhecer formas diferentes de fazer as coisas, parece-me até muito bem. Eu faço-o todos os dias. O que estranho, é o sentimento que move estes pais. Muitos não o fazem por assumirem o seu papel plenamente, com uma segurança, determinação e confiança, que os leva a querer fazer mais e melhor a cada dia (daí a procura de novas estratégias). O que vejo, é que muitos pais fazem estes "apelos" sustentados num sentimento de profundo desespero, insegurança e medo.

Os pais fragilizados nos seus papeis e aprisionados pelos seus medos, refugiam-se num de dois movimentos possíveis. Ou exercem uma parentalidade muito apoiada na severidade, autoritarismo e/ou manipulação, ou, pelo contrário, numa parentalidade permissiva e com uma passividade tal, que leva a uma inversão de papéis. No primeiro caso, a vida em conjunto é conduzida com base nas expectativas dos pais (e a criança, na sua essência, perde-se). No segundo, os filhos e as suas necessidades passam a orientar e determinar a vida em família.

O equilíbrio (onde se encontra a saúde e o bem estar de todos os elementos) está no exercício de uma parentalidade assente em valores de partilha, solidariedade, colaboração e comunicação. Nestes casos, as necessidades dos pais e as necessidades dos filhos são ambas importantes. E ambas, devem ser determinantes para a organização e estruturação da vida familiar. Devem também ser os pilares que fundamentam as regras e as interacções.

É importante que os pais percebam que, num momento inicial, só o adulto consegue fazer essa gestão. Os bebés (e as crianças até certa idade), encontram-se numa fase de um egocentrismo que é natural e saudável. Isso mantém-nos centrados em si mesmos e nas suas necessidades e/ou vontades. É precisamente por ficarem a conhecer algumas das suas "limitações", e por verem os pais respeitar os seus próprios valores, que a criança se sente cada vez mais parte da estrutura (e vai ganhando cada vez mais poder sobre ela à medida das suas capacidades). Pais seguros, dão a conhecer à criança (ou apenas confirmam o que ela já sabe) a importância de dimensões como auto-estima, segurança, respeito e, principalmente, amor-próprio, vivendo-o na primeira pessoa.

Os nossos filhos não vão ser aquilo que nós lhes damos! ... Já a forma como nós os tratamos é importante, sim, sem dúvida! ... Mas o que é que é igualmente importante e, tantas vezes, negligenciado por nós? Pois é... as crianças vão relacionar-se consigo mesmas da mesma forma que nós o fazemos com nós próprios. Isto porque em última análise, a criança tem um profundo desejo de ser como os "crescidos" e, os principais "crescidos" da vida deles, são os pais! Já alguma vez ouviu uma mãe dizer "sempre tratei a minha filha tão bem e com tanto carinho, e ela trata-me tão mal!". Agora entende?

A regra é "eu amo e amo-me, porque sou amado e os meus pais se amaram a si mesmos".

Esta máxima só é possível, se nos permitirmos viver os nossos papeis de pais, sem medos ou interferências de velhas crenças e velhos padrões com os quais já não nos identificamos (mas que temos medo de deixar, sob pena de nos sentirmos órfãos ou perdidos). O que dizemos a nós mesmos, às vezes é -"eu não quero educar como os meus pais e avós fizeram, mas não sei fazê-lo de outra forma... e agora?". Se não nos sentirmos seguros, determinados e não confiarmos nas nossas capacidades como pais, passamos a viver numa "terra de ninguém", com efeito negativo para toda a estrutura familiar.
Os medos e as dúvidas fazem parte, mas há que mantê-las no seu devido lugar! Os pais autoritários, têm na essência, medo de perder o controlo e/ou medo de perder a sua estrutura (o que aprenderam com os pais). Pais permissivos ou passivos, têm medo de dizer "não". Temem que o "não" deixe o seu filho zangado, e que assim, corram o risco de perder o seu amor. Mais confuso ainda, é quando o desespero faz-nos alternar entre uma posição e a outra,  numa vivência de parentalidade desgastante (para nós e para a criança) de tão confusa e incoerente que se torna. Os nossos filhos, esses, na melhor das hipóteses, vão se zangar tremendamente! E ainda bem!

Saiba que não existe ninguém melhor do que você para ser mãe/pai do seu filho. Não existe ninguém com mais força, conhecimento, nem amor. Saiba que não existe a "terra de ninguém" apenas existe a "sua terra"! E quando a abrir ao seu filho, marido/ mulher, passará a ser a vossa terra! Poderão assim, construir o espaço, as regras, a estrutura e o amor da vossa família. Faça as escolhas que fizer, mas faça-as em consciência e nunca esquecendo de se incluir e de incluir o seu filho.

Acredite que, ceder numa regra que só faz sentido para si, ou dizer "não" numa situação importante para a família, vão ajudar a manter a felicidade "sob controlo" e o amor sempre a crescer! Valorize-se, liberte-se e liberte, e viverá a parentalidade que verdadeiramente quer ter!