terça-feira, 7 de abril de 2015

Os Dois Pilares de uma Manhã Tranquila

Para que uma família possa viver as suas manhãs de forma mais tranquila, é importante que invista em dois eixos fundamentais: a organização e a conexão. O primeiro vai permitir rentabilizar o tempo ao máximo e reduzir a confusão matinal. O segundo, vai promover a colaboração de todos os elementos e alimentar o sentimento de harmonia.

Gerir as manhãs de forma organizada:

-  A manhã prepara-se na véspera. Um dos aspectos que o vai ajudar a ter uma manhã mais tranquila é sem dúvida deixar preparado na véspera, tudo o que for possível (p. e. as roupas que vão vestir, a mesa de pequeno almoço, mochilas, lanches, etc.).

Deitar cedo, para que tenha uma noite de sono verdadeiramente reparadora, vai tornar mais fácil o acordar. Vai também deixar os elementos da família mais bem dispostos e activos pela manhã. Esta regra é válida para os adultos também.

- Seja a/o primeira/o a acordar. Se o horário actual tem sido "apertado", então vá antecipando a hora de acordar até que tenha acertado com o horário ideal para a sua família. Lembre-se que as horas da manhã não podem ser esticadas, mas a hora de ir para a cama, essa sim, é definida por si. É preferível ir para a cama mais cedo e acordar mais cedo, do que desgastar as relações familiares em manhãs carregadas de stress e gritos. O seu bem estar e o do seus filhos agradecem!

- Estabeleça uma ordem de tarefas. Esta organização deve ser adaptada a cada família e pode tornar-se mais flexível com o desenvolver da responsabilidade, autonomia e capacidade de organização das crianças. Um exemplo para uma família com ambos os pais disponíveis pela manhã seria:

  • Os pais acordam antes dos filhos e preparam-se.
  • Acordam as crianças. 
  • Um dos pais ajuda as crianças a vestirem-se e a pentearem-se, enquanto o outro prepara o pequeno almoço. 
  • Comem todos juntos. 
  • Lavam os dentes e preparam os detalhes finais. 
  • 15 minutos para brincar/estar com as crianças. 
  • À hora combinada sair. 

- Dependendo das idades da ou das crianças, pode ser interessante ter uma lista interactiva das tarefas matinais a cumprir. Assim os filhos podem organizar-se autonomamente sem que os pais tenham que repetir 20 vezes o que falta fazer. Aqui, entra em acção a sua criatividade!

-  Contrarie a tendência natural que temos de deixar para o fim o mais difícil ou exigente. Para não cair nessa "armadilha" tenha em mente que essas são precisamente as tarefas que deve assegurar que ficam "despachadas" o quanto antes (p. e. deixar pronto o filho mais novo ou pentear cabelos encaracolados).

- Mantenha o foco no momento presente e no que deve fazer para que este corra pelo melhor. Deixe os problemas do trabalho para quando lá chegar. Evite tudo o que possa fazer fora deste período matinal, como por exemplo chamadas telefónicas. É importante também que ajude os outros elementos da família a fazerem o mesmo. Sobretudo as crianças pois é muito fácil perderem-se nas tarefas ou deixarem-se ficar pelos momentos de brincadeira.

Investir na conexão com os seus filhos e companheiro/a:

- Para que tudo corra pelo melhor, não se esqueça que simpatia e boa disposição podem começar por si e pelas suas palavras. Apresente as opções e pergunte à ou às crianças o que é que lhes apetece comer e assim vai evitar conflitos de "quero, não quero". Ao pequeno almoço, se conseguirem estar todos juntos, pode ser interessante conversarem sobre os planos que cada um tem para o seu dia.

- Reserve um tempo para brincar e estar com o(s) seu(s) filhos(s). Muitos dos conflitos matinais, devem-se à falta de colaboração das crianças, que se sentem frustradas e desconectadas dos pais. Estes minutos podem ser combinados no início da rotina ou no final, consoante as idades das crianças e a organização da família. Com filhos mais crescidos, estes minutos podem corresponder a uma boa e divertida conversa ao pequeno almoço. O que importa é que sintam os pais presentes e disponíveis (as correrias e os gritos fazem sentir o contrário).

- Compreenda que as crianças não têm uma noção de tempo igual à dos adultos e, até certa idade, não conseguem entender a rigidez de um horário. Cabe a si, adulto/a, ajudá-las a entender e desenvolver esta capacidade (respeitando a fase de desenvolvimento em que a criança se encontre). E cabe a si, compreender os conflitos e desfasamentos que isto possa causar, criando condições para que sejam superados. Acompanhe, explique e defina estratégias e limites, mas, sobretudo, deixe claro que entende o que o seu filho é, e ainda não é, capaz de fazer.

Lembre-se que as manhãs são o primeiro momento do seu dia. São o primeiro "sabor". Se quer ter um dia agradável, é importante que comece com uma manhã agradável. Para os seus filhos, chegar à escola tranquilamente, animados e cheios de sentimentos positivos, deixa-os livres para se concentrarem e investirem no dia de escola que têm pela frente. Na situação contrária, necessitarão de processar os sentimentos de frustração, zanga e injustiça de uma manhã apressada e tensa.

Boas manhãs!

quarta-feira, 25 de março de 2015

Comunicação que Reforça a Auto-estima da Criança

Felizmente, muitos pais parecem preocupar-se hoje e cada vez mais, com o desenvolvimento emocional dos seus filhos. Durante muito tempo imperaram os aspectos funcionais da educação da criança, com particular preocupação pelo cumprimento de regras, o respeito aos pais (e adultos em geral), e a adaptação mais ou menos forçada à estrutura social. 

Hoje sabe-se que educar é tão mais do que isso!

Hoje sabe-se que da educação dada na infância, e mais até, da relação estabelecida na infância entre pais e filhos, depende a felicidade presente e futura da criança. Sabe-se que, se por um lado, é importante que a criança tenha a capacidade de respeitar e de se adaptar a um contexto social no qual deverá integrar-se, por outro, essa adaptação deverá ser feita também em função das suas próprias necessidades. Só assim poderá sentir-se em estado de equilíbrio e bem estar, com todas as consequências positivas que isso acarreta em termos pessoais e sociais.

Os pais compreendem, cada vez mais, que esse bem estar e desenvolvimento saudável passa também, para além de muitos outros factores, por crescer com uma boa e forte auto-estima. O que por vezes ainda causa dificuldades é sabermos como chegar lá. Para que os nossos filhos tenham uma boa auto-estima, não basta desejá-lo. São muitas as dimensões que entram “em jogo”, como o sentir-se amado incondicionalmente, sentir segurança, reconhecimento e conhecer as regras da estrutura da qual se faz parte.

Todas estas dimensões são vividas e adquiridas essencialmente através da relação, e sabemos que relação e comunicação estão intimamente ligadas. É por essa razão que hoje se assume cada vez mais, e de forma cada vez mais esclarecida, a importância da comunicação (e em particular das palavras) na construção do universo mental da criança. Dependendo do tipo de comunicação dominante, os pais poderão ajudar a desenvolver a capacidade de fazer escolhas, o sentido crítico, a autonomia e poderão ensinar a criança a ser boa para si mesma. E como “bónus”, há que considerar que uma pessoa que se ame genuína e profundamente tem em si a capacidade de amar os outros.

O que tem a nossa comunicação que transmitir e/ou promover para que os nossos filhos possam então desenvolver uma boa auto-estima? 


Bem, um dos aspectos fundamentais, será que a criança consiga valorizar a (construção da) sua própria opinião, mais do que limitar-se a fazer uma colagem à opinião dos “crescidos”, e mais tarde, dos amigos. Por outro lado, será fundamental que se sinta livre para exprimir e compreender as suas próprias emoções.

Uma das chaves de uma comunicação (interna) segura, é a capacidade e o hábito de colocar a si mesmo a questão “como é que eu me sinto nesta situação?”. E como tal, é desejável que os pais ajudem a criança a desenvolver este mecanismo. Assumindo numa fase inicial esse papel no lugar da criança e adaptando gradualmente o discurso, à fase de desenvolvimento em que a criança se encontra. Para um bebé, fará mais sentido dizer algo como “deves estar mesmo zangado por te terem tirado o brinquedo!”, até chegar uma altura mais tarde em que bastará apenas perguntar “e como é que esta situação te fez sentir?”. Quando este tipo de comunicação é estabelecida e os próprios pais costumam exprimir os seus sentimentos, a criança cresce adquirindo o hábito de integrar as emoções no seu discurso de forma natural.


Aspectos centrais de uma comunicação que reforça a auto-estima

1. Exprime amor incondicional, ou seja, as manifestações de afecto são independentes do comportamento e resultados que a criança obtém no dia a dia (por exemplo os resultados escolares);

2. Valoriza a opinião da criança mais do que a colagem e/ou reprodução da opinião dos adultos.
3. A escuta é activa. Os pais fazem perguntas para perceber melhor o que a criança está a contar. 
4. O adulto ouve sem corrigir e sem minimizar as preocupações da criança.
5. O adulto não se apressa a resolver os problemas ou a dar respostas. Explora sim, alternativas e opções com a criança.
6. Ajuda a criança a exprimir, aceitar e compreender as suas próprias emoções.
7. Não é intrusiva, e reconhece que a criança não tem que contar tudo, tendo liberdade para guardar algumas coisas para si mesma.

No limite, podemos considerar que educar uma criança é, antes de mais, acompanhá-la, mostrando-lhe que é aceite e pode aceitar-se a si mesma tal como é, fazendo as suas próprias escolhas, e acolhendo em cada situação as suas próprias emoções. É ensiná-la a geri-las com compreensão, tolerância e sabedoria. É também mostrar-lhe todos os dias que, ainda que estejamos cá para ela, confiamos na sua capacidade para ir construindo o seu caminho, cada vez mais por si mesma. 

E isto é Amor!

“E tu Mãe? Tens Livro de Instruções?”

É tão habitual ouvir-se dizer que os filhos não trazem livro de instruções. Gostava de propor fazermos a reflexão inversa! “Eles” não trazem livro de instruções? Então e nós, mães e pais? Trazemos?

Uma mãe não nasce no dia em que dá à luz. Talvez até possa, em certa medida, “renascer” ou “reinventar-se”, mas tudo o que ela é, tudo o que viveu até aquele momento, faz invariavelmente parte da sua existência e vai, invariavelmente, acompanhá-la em tudo o que viverá e será no seu papel de mãe. Traz portanto consigo uma “mochila” já bem cheia e na qual, terá que arranjar um cantinho para algo tão “espaçoso” como a maternidade. Uma mãe é mulher, filha, neta, cidadã. Uma mãe tem fantasmas, medos e fragilidades. Uma mãe tem esperanças, desejos e expectativas. Nada disso desaparece no dia em que se faz mãe. Antes pelo contrário, tudo isso se revela e se intensifica!

O primeiro olhar dos nossos filhos passa em grande medida pelos olhos da sua mãe, numa linguagem de emoções, que nem sempre compreende. Ora a mãe está feliz, ora está triste, ora a sua voz é suave, ora está a gritar. Umas vezes chora, outras vezes ri-se. Que estranho o mundo lhe pode parecer! Tantas e tantas vezes, estamos a olhar para os nossos filhos e neles procuramos respostas. Esquecemo-nos, por vezes, que também eles nos olham, e mais ainda tantas vezes nos espelham. Atrever-me-ia a dizer que quanto mais olharmos para nós, mais os conseguiremos compreender. E, talvez por isso, o que deveriamos procurar, seja o nosso próprio livro de instruções.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Dica para pais perfeitos!


Muitos pais desabafam que, depois de muito ler e aprender, já sabem como é que devem agir perante alguns comportamentos dos seus filhos, mas que, ainda assim, em muitos momentos, não conseguem agir em conformidade.

1º - A crença de que é possível reagir sempre bem, ou da melhor forma, é utópica e muito pesada. É preciso aceitar em nós a imperfeição, pois isso é ser "perfeitamente humano"! Saber que os seus pais não são perfeitos e perceber assim, que também ela não precisa de o ser, é tremendamente libertador.

2º - Conhecimento (racionalidade) e acção são mediados por emoção. E mais do que saber como devemos agir, é importante cuidar do nosso próprio "sentir" como pais sim, mas principalmente como pessoas. Se não estamos emocionalmente bem, dificilmente teremos disponibilidade mental para aceitar, compreender e encontrar soluções para as diferentes situações.

3º - Um dos erros na forma como os pais reagem ao comportamento dos filhos, é o de se focarem mais no comportamento do que nas suas causas ou significado. Pois o mesmo acontece aqui. Mais do que o que fazemos, e como fazemos, é importante perceber de onde partem as nossas práticas. Estas, são consequência da forma como nos relacionar com as pessoas à nossa volta (o que inclui os nossos filhos). Ou seja, o segredo está em, mais do que usar o conhecimento para mudar os nossos comportamentos, usar esse conhecimento para nos conhecermos melhor a nós próprios e aos nossos filhos e assim mudarmos a forma como nos relacionamos. Isto porque se nos focarmos em transformar a relação, as nossas respostas não precisarão de ser pensadas e nunca estarão erradas. Serão sempre as respostas que a relação que temos nos permite dar.

Em suma, a questão não é se os pais agem sempre da melhor maneira perante os comportamentos dos filhos, mas sim, se se estão a relacionar com os seus filhos da melhor maneira.