quarta-feira, 25 de março de 2015

“E tu Mãe? Tens Livro de Instruções?”

É tão habitual ouvir-se dizer que os filhos não trazem livro de instruções. Gostava de propor fazermos a reflexão inversa! “Eles” não trazem livro de instruções? Então e nós, mães e pais? Trazemos?

Uma mãe não nasce no dia em que dá à luz. Talvez até possa, em certa medida, “renascer” ou “reinventar-se”, mas tudo o que ela é, tudo o que viveu até aquele momento, faz invariavelmente parte da sua existência e vai, invariavelmente, acompanhá-la em tudo o que viverá e será no seu papel de mãe. Traz portanto consigo uma “mochila” já bem cheia e na qual, terá que arranjar um cantinho para algo tão “espaçoso” como a maternidade. Uma mãe é mulher, filha, neta, cidadã. Uma mãe tem fantasmas, medos e fragilidades. Uma mãe tem esperanças, desejos e expectativas. Nada disso desaparece no dia em que se faz mãe. Antes pelo contrário, tudo isso se revela e se intensifica!

O primeiro olhar dos nossos filhos passa em grande medida pelos olhos da sua mãe, numa linguagem de emoções, que nem sempre compreende. Ora a mãe está feliz, ora está triste, ora a sua voz é suave, ora está a gritar. Umas vezes chora, outras vezes ri-se. Que estranho o mundo lhe pode parecer! Tantas e tantas vezes, estamos a olhar para os nossos filhos e neles procuramos respostas. Esquecemo-nos, por vezes, que também eles nos olham, e mais ainda tantas vezes nos espelham. Atrever-me-ia a dizer que quanto mais olharmos para nós, mais os conseguiremos compreender. E, talvez por isso, o que deveriamos procurar, seja o nosso próprio livro de instruções.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Dica para pais perfeitos!


Muitos pais desabafam que, depois de muito ler e aprender, já sabem como é que devem agir perante alguns comportamentos dos seus filhos, mas que, ainda assim, em muitos momentos, não conseguem agir em conformidade.

1º - A crença de que é possível reagir sempre bem, ou da melhor forma, é utópica e muito pesada. É preciso aceitar em nós a imperfeição, pois isso é ser "perfeitamente humano"! Saber que os seus pais não são perfeitos e perceber assim, que também ela não precisa de o ser, é tremendamente libertador.

2º - Conhecimento (racionalidade) e acção são mediados por emoção. E mais do que saber como devemos agir, é importante cuidar do nosso próprio "sentir" como pais sim, mas principalmente como pessoas. Se não estamos emocionalmente bem, dificilmente teremos disponibilidade mental para aceitar, compreender e encontrar soluções para as diferentes situações.

3º - Um dos erros na forma como os pais reagem ao comportamento dos filhos, é o de se focarem mais no comportamento do que nas suas causas ou significado. Pois o mesmo acontece aqui. Mais do que o que fazemos, e como fazemos, é importante perceber de onde partem as nossas práticas. Estas, são consequência da forma como nos relacionar com as pessoas à nossa volta (o que inclui os nossos filhos). Ou seja, o segredo está em, mais do que usar o conhecimento para mudar os nossos comportamentos, usar esse conhecimento para nos conhecermos melhor a nós próprios e aos nossos filhos e assim mudarmos a forma como nos relacionamos. Isto porque se nos focarmos em transformar a relação, as nossas respostas não precisarão de ser pensadas e nunca estarão erradas. Serão sempre as respostas que a relação que temos nos permite dar.

Em suma, a questão não é se os pais agem sempre da melhor maneira perante os comportamentos dos filhos, mas sim, se se estão a relacionar com os seus filhos da melhor maneira.