segunda-feira, 3 de novembro de 2014

A Tranquilidade Começa nos Pais

Este post tem uma vertente um pouco diferente da habitual. Ainda assim, escrevo-o porque acredito muito sinceramente que é interessante e tem resultados excelentes na sua vida e no equilíbrio familiar.

Já lhe aconteceu pensar "logo agora que estou tão cansada é que vem esta birra?!" ou dizer "eu que já estou tão irritada e tu com esses comportamentos?!". Pois a questão é que é precisamente por se encontrar nesse estado, que o seu filho, apanhado no turbilhão de emoções e contagiado por elas, reage. Ele quer e precisa de sentir que os pais estão bem, estão seguros e que mesmo nos momentos difíceis, continuam a amá-lo. É tão simples e tão complexo quanto isto!

Uma das formas mais brilhantes e eficazes de reduzir a tensão familiar, as birras e algumas reacções intensas por parte dos nossos filhos, passa na realidade por nós, PAIS, estarmos também mais tranquilos, plenos e a sentir-nos cheios de energia (uma energia boa e equilibrada). Passa por outro lado, por aprendermos a focar-nos no que é realmente importante em cada momento que estamos a viver.

No dia 13 de Novembro, vou dar uma Sessão de Relaxamento em grupo para adultos no NaturAjna, em Almada. Quer começar por algum lado? Então este é mais um excelente passo no seu caminho! Conto consigo!

Abraço,




quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Obrigar ou não o meu filho a partilhar?!

Faço aqui uma reflexão, a propósito de um texto que foi escrito por uma mãe, que afirma não obrigar o seu filho pequeno a partilhar, seja em que circunstância for (nem mesmo nas situações em que o bem é "público", como um escorrega ou baloiço num parque). Isto porque, aparentemente, esta mãe sente-se no dever de ensinar as outras crianças a esperar e a perceber que não podem te os objectos sempre que querem e como querem. Por outro lado, a autora alega que um adulto nunca seria obrigado a partilhar o seu telemóvel com alguém que desconhece e, como tal, não devemos obrigar uma criança a emprestar o que lhe pertence a não ser que ela assim o entenda.

Antes de mais, quando estou perante um desafio na educação da minha filha, a única coisa que tenho em conta é a aprendizagem e a importância que aquele momento pode ter para ela. Não me compete a mim estar a pensar no quanto as outras crianças ficam mimadas ou deixam de ficar, se a minha filha lhes emprestar as suas coisas. Isso é, e deverá ser, responsabilidade das suas famílias. Ainda assim, acredito que esta discussão é muito interessante. Os tempos estão a mudar e são muitos os pais que pensam sobre estas coisas. Não queremos continuar a fazer como se fazia no tempo dos nossos avós ou pais, no entanto, não temos ainda interiorizado um novo modelo e, aí, ficamos confusos e por vezes acabamos por cair num dos extremos.

Ainda assim, a minha opinião difere da desta autora, em duas dimensões que penso serem muito importantes. Primeiro, uma criança não é um adulto e como tal, deve ser vista pelas características que a sua condição de criança lhe dá. Encarar a criança como um adulto em ponto pequeno é voltar muitos séculos atrás na forma como a infância é encarada. É fácil perceber estas diferenças. Para isso, basta pensarmos que se eu for a um café, não começo imediatamente a falar e/ou a interagir com as pessoas que estão à minha volta. E, salvo algo que saia da normalidade, os adultos não vêem os "estranhos" na rua como potenciais amigos (não estou a avaliar se isso é bom ou mau). Já os nossos filhos, se virem outra criança, ficam normalmente curiosos e com vontade de interagir. Mais timidamente ou menos timidamente, uma outra criança, para si, é sempre um potencial de "brincadeira". É por essa razão que, desejar partilhar ou não os brinquedos,  ganha uma enorme relevância. A forma como vai resolver a situação que está a viver, vai influenciar a forma como aprende a relacionar-se com os pares. Para mim, coloca-se aqui então outra questão. Não cabe aos pais ajudar a criança na vivência dos vários desafios que se lhe são colocados nestes primeiros anos da vida? 

E o que é ajudar? Para muitos pais, ajudar é decidir no lugar da criança e, determinar o comportamento adequado. Para outros, será deixar que a criança passe pelo processo sozinha e não intervêm independentemente da escolha que faça. Outros, ajudarão a criança a pensar sobre o(s) significado(s) do momento e sobre as escolhas que pode fazer (com as suas respectivas vantagens e consequências). 

Por exemplo, a minha filha está no parque a brincar com a sua boneca e outra menina aproxima-se e tenta mexer nessa mesma boneca. A reacção imediata, considerando o seu temperamento e os seus dois anos, é afastar a boneca e dizer "não mexe, é minha". Perante esta situação, o que faria eu? Primeiro explicava à menina que se aproximou: "sabes, a boneca é dela e ela gosta mesmo muito desta boneca. Por isso é difícil para ela emprestá-la". Desta forma, estou também a dizer à minha filha que não condeno a reacção dela e até a compreendo. Isso ajuda a que não fique tão defensiva e a pensar que alguém lhe vai tirar a boneca da mão sem que ela o queira. Mas não me fico por aqui, pois cabe a mim também mostrar-lhe porque é que emprestar a boneca poderia ser interessante. É por essa razão que lhe diria algo do género "gostavas de brincar com a menina?" e se ela me respondesse que sim, responder-lhe-ia "para poderem brincar juntas e divertirem-se as duas é importante que a menina também possa brincar com as tuas coisas". A reacção de partilha pode até não ser imediata (normalmente a A. escolhe emprestar um brinquedo que não seja tão especial). Mas a verdade é que ajudo-a a pensar sobre a situação e a ver que o que é dela, continuará a sê-lo, mesmo que o empreste por uns momentos. E que, por outro lado, emprestar permite que não esteja a brincar sozinha, poderá divertir-se mais e ainda fazer uma "nova amiga". Se a resposta for um belo e redondo "não, quero brincar sozinha" (o que às vezes acontece), então não obrigo. Limito-me a dizer à outra criança que naquele dia ela está com vontade de brincar sozinha e que talvez noutro dia seja diferente. E pronto, respeito.

Obrigo a partilhar? Não. Não quando o objecto é propriedade dela. Se o fizesse, estaria a dizer-lhe que o que é dela num momento pode deixar de o ser noutro. Se eu decido no lugar dela, então estou a agir como se o uso do brinquedo ou do objecto em causa, fosse um direito meu ou da outra criança. Assim estaria a confirmar-lhe os seus receios. 

A segunda questão, é que considero diferente (e acho importante que a minha filha aprenda a fazê-lo também), o que é propriedade da minha filha e o que é público. Porque neste último caso, para mim, a conversa fica muito diferente. Acho que é fundamental ensinar uma criança que há objectos que são dela e objectos que são de todos os meninos que estão ali (que é o caso dos parques, creche, etc.). Se quer estar sentada no cimo ou na ponta do escorrega, impedindo outros meninos de o utilizarem, então explico que tem que sair e dar passagem. Se estiver num carrinho durante muito tempo, estando outra criança à espera, explico que poderá andar mais um bocadinho mas que já está uma criança à espera e que, como tal, seria interessante pensar em experimentar outros brinquedos. Quando possível, pode-se sugerir que ela própria defina um certo número de voltas no carro ou de elevações no baloiço, antes de o passar para outra criança. Se no final se recusar a sair, explico que tem mesmo que ser, explico porquê (se todos os meninos ficassem muito tempo nos brinquedos, então ela também não teria conseguido usá-lo) e tiro-a, tentando ser firme mas sem ser brusca (é normal que seja difícil para uma criança acabar com um momento que lhe está a dar prazer).

Partilhar é bom porque é também uma forma de entrar em relação com o outro e aprender a respeitar a sua presença. É sem dúvida uma aprendizagem importante para os nossos filhos, temos é que saber também nos, respeitá-los nesse processo. Apenas isso.

Um abraço daqui deste lado,
Ana Guilhas
_____________________
Poderão ler o texto original aqui.
Existe uma versão portuguesa aqui.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Estas a viajar... por isso, aproveita e tira fotografias bonitas!

joão lavrador santo: Em viagem: “Diálogo sobre a viagem (Gonçalo M. Tavares) ― O que é viajar? ― É irmos do sítio A para o sítio B. ― E se depois voltarmos para o s...

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

"Stresso Logo Existo" - Reflexão Sobre o Stress Familiar


O Stress costuma ser visto como um dos grandes "papões" do século XXI e, na grande maioria das vezes, as pessoas acreditam que têm de se ver livres dele. Na realidade, o stress é um mecanismo psicofisiológico, que de base, é necessário à vida humana. A reacção de stress desencadeia-se sempre que somos confrontados com uma situação perante a qual precisamos de reagir, e se quiserem saber a minha opinião, esse processo é constante. Não existe um dia na vida em que não tenhamos que reagir a alguma coisa, de uma forma ou de outra. Onde está o mal então?

Vamos imaginar a seguinte situação. Estou a passear numa savana (vai-se lá saber porquê!) e deparo-me com um leão. Imediatamente o meu organismo reage e prepara-se para "lutar ou fugir". De repente, lá estou eu a correr que nem uma gazela e a trepar uma árvore com a agilidade de um macaco. Como é que eu consegui fazer isso? O stress desencadeou no meu organismo um conjunto de reacções complexas, que ainda que temporariamente, me deram uma espécie de "super-poderes". Num cenário ideal, o leão vai-se embora e o stress salvou a minha vida. Claramente, esta é uma situação de stress benigno.

Agora, vamos imaginar que sempre que desço da árvore, o leão volta a aparecer e eu tenho que voltar a subir. Isso, vezes e vezes sem conta. Todas as reacções fisiológicas que inicialmente me salvaram (p. ex. aumento do ritmo cardíaco, respiração rápida e superficial, alterações na produção de hormonas), vão agora começar a desgastar o meu organismo. Quanto mais a situação se prolongar no tempo, maior o desgaste. E eu pergunto-vos, o que é que me está a passar pela cabeça de cada vez que subo à árvore? A única coisa que consigo dizer a mim mesma é que "eu não sou capaz de ultrapassar esta situação. Estou encurralada e não existe uma solução".

Vamos continuar no domínio da imaginação e pensar agora no seguinte cenário: Estou no meu quarto e percebo que está uma barata à porta. É a única saída daquele espaço. E, de repente, a barata vê-me e começa a olha-me fixamente com um ar ameaçador. O que é que me passa pela cabeça? A única coisa que consigo dizer a mim mesma é que "eu não sou capaz de ultrapassar esta situação. Estou encurralada e não existe uma solução".  Acreditem, ficaria ali, sentada num canto do quarto à espera de socorro, paralisada, porque a minha cabeça me diz que não há nada que possa fazer. Exactamente como se de um leão se tratasse (talvez com um pouco menos de desespero, apenas).

Estes dois últimos exemplos, representam situações de quando o stress se torna maligno, atingindo-nos física, psicológica e emocionalmente. E o que os torna comuns, é que independentemente de ser real ou não, achamos que não existe uma saída para aquela situação. Pelo menos não uma que passe pelas nossas mãos ou como eu costumo dizer, pela nossa "área de poder".

Nestes casos, os mecanismos fisiológicos e psicológicos do stress mantêm-se para além do confronto inicial, provocando agora um desgaste generalizado. Se estivermos permanentemente neste estado, as consequências a longo prazo são gravíssimas, e podem ir da doença física à doença mental. O que liga as diferentes realidades, é sem dúvida a percepção que fazemos do que acontece nas nossas vidas. Pessoas diferentes vão viver uma mesma situação de formas completamente diferentes, e com níveis de stress igualmente diferentes. Decididamente, hoje sabe-se que a chave para gerir o stress (do século XXI), está em ultrapassar determinadas crenças e pensamentos que temos enraizados em nós.

Transpor este conhecimento para a vida em família, dá que pensar. Ora vejamos... surge a gravidez e com ela, o entusiasmo e os receios.  Depois vem o bebé, e descobrimos que chora, é exigente e nos dá noites difíceis. Passo a passo, vamos reagindo com o stress necessário a uma boa adaptação. O stress (positivo) ajuda-nos a reagir numa fase inicial, dando aos pais uma energia que não sabiam ter. Passam um mês, dois meses, três meses de noites mal dormidas. Acrescentam-se as doenças, as birras, as exigências, o trabalho...  Ainda respira? Então acrescente-lhe mais:
Stress na hora do banho...
Stress para sair de casa...
Stress ao jantar...
Stress porque sim...
E depois, não esquecer que na família há a soma de "todos os stresses" (mãe, pai, filho ou filhos em stress). Quantas vezes no nosso íntimo pensamos "eu não sou capaz de ultrapassar esta situação. Estou encurralada e não existe uma solução".

Não se sente no canto do quarto à espera que alguma coisa mude. Acredite que na maior parte das vezes, o que lhe está a provocar o stress não tem a ferocidade de um leão. A forma como pensamos a vida, isso sim, esmaga-nos com pensamentos de insegurança, impotência, culpa e desespero!

Anda stressado/a?! O que acha que deve começar a mudar em si?
Tente! Você é capaz!

Abraço,