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segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Cuidar de quem cuida dos nossos filhos

"Dizemos frequentemente que as crianças mudaram, mas ainda que isso possa ser, em parte, verdade, na realidade fomos nós, adultos, que passámos a ver a infância com outros olhos. Fomos nós que, revendo-nos em criança e perspectivando o nosso futuro, passámos a desejar mais e melhor.
Desta transformação nasceu uma sede de conhecimento, uma necessidade de tornar consciente o que se fazia por instinto, a ambição de desvendar os “segredos” dos nossos filhos, e de dominar as estratégias para o “perfeito” desenvolvimento da criança" Continuar a ler

Autora: Ana Guilhas
Publicado em Up To Kids

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Os 3 Grandes Erros da Escola

"Sou mãe de uma menina de quase 3 anos, que ainda só frequenta a creche. No entanto, hoje a minha preocupação com o sistema escolar ultrapassa já a dimensão profissional, sendo também uma preocupação de mãe. Porquê tão “cedo”? Primeiro, porque sei que uma estrutura como o sistema escolar, leva tempo a mudar. Segundo, porque a escola dos dias de hoje espelha a forma como as sociedades olham para as suas crianças, para o seu presente e para o seu futuro."
Leia o texto na integra aqui

Texto originalmente publicado na Up To Lisbon Kids

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Ainda a história dos TPC's!

Os TPC's estão a ficar cada vez mais famosos e há muito que se lhes (contra)diga. Mas às vezes, tenho a ideia de que muitos pais assumem o papel de "bons alunos" garantindo que se cumpra o que foi mandado pelo professor, sem usarem o sentido crítico e sem fazerem valer os seus direitos como gestores da sua própria dinâmica familiar.

Pais exaustos por terem que acompanhar os trabalhos de casa dos filhos pela noite dentro?!

Pais que reclamam por terem de fazer uma grande parte dos trabalhos dos filhos porque a exigência vai para além das aquisições escolares, e/ou porque são em quantidade desmesurada?!

O acesso geral à educação e a escolaridade obrigatória são, sem dúvida instrumentos valiosíssimos para a nossa estrutura social e para cada um de nós enquanto indivíduos. A escola existe para nos fazer bem, para sabermos mais, sermos mais fortes e, sobretudo, estarmos mais preparados para defender e viver de acordo com os nossos valores. Mas então que escola é esta que nos causa angústia, diz-se fazer mal aos nossos filhos e parece tantas vezes prejudicar a estrutura mais importante e basilar de todas, que é a família? O seu propósito parece estar completamente desvirtuado.

Se por um lado, nas mais altas instância se tomam decisões perfeitamente absurdas e desprovidas de suporte teórico, sentido prático e valor humano, não é menos importante a forma como pais, professores e alunos se posicionam face a essa realidade. Como é que existem professores que praticamente não pedem trabalhos de casa e, outros, mandam quantidades "astronómicas", dizendo não ter alternativa? Faz sentido haver pais que se colocam inteiramente na posição de "bons alunos" (talvez presos ainda aos fantasmas da sua própria infância e experiência escolar) que fazem os trabalhos de casa dos filhos, cegamente, sem análise e sem questionamento? Porque é que existem alunos felizes e, outros, sentem-se profundamente miseráveis e assustados (por vezes aterrorizados) com a ideia da escola? O que é que faz a diferença afinal?

Talvez tenha chegado a altura de pensarmos acerca do que nos liga a esta estrutura de ensino e o modo como a queremos viver. Parece-me que é caso para reflectir sobre a forma como cada professor, pai e criança se posiciona perante o seu papel e a sua "margem de actuação".

Seria interessante perceber no que diz respeito ao professor, o que é para ele ensinar. É possível ser um bom professor no contexto de ensino actual? Que valor têm os alunos? Que valor tem a sua profissão? Não é mesmo possível fazer diferente? Aos pais, perguntaria, porque é que é tão importante que os seus filhos sejam "bonzinhos" e bons alunos a todo o custo? O que é mais importante, os laços e a vida familiar, ou o sucesso escolar dos filhos? Que valor tem o bem estar dos seus filhos? Que valor tem o seu próprio bem estar? Do aluno, gostaria de saber, como é que é ser criança nos dias de hoje? O que representa a escola para a ele? Como é que se sente no seu papel de aluno? O que é que ele precisa para crescer bem e saudável? O que é que ele acha realmente importante para que um dia seja um adulto bem sucedido e feliz?

A todos, eu perguntaria: Que escolhas estamos a fazer para as nossas vidas?!

Pais a fazerem os trabalhos de casa pelos filhos porque os filhos não conseguem!
Pais e filhos até "altas horas" da noite a cumprirem com os trabalhos de casa ao invés de conversarem, partilharem, brincarem e rirem!
Pais presos à ideia errada de que sucesso escolar quer invariavelmente dizer sucesso na vida adulta e vice-versa!
Pais que aceitam ver a infelicidade dos seus filhos como sendo um sacrifício necessário para um "bem maior"!
Professores que acreditam que fazem como fazem porque não existem outras formas de fazer!

Será que tem mesmo que ser assim?
Se eu acredito que não, então a pergunta que se impõe é "que escolhas posso EU fazer?!"

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Dificuldades de aprendizagem | iOnline

Um texto absolutamente perfeito! Com uma clareza e (auto)análise brilhantes. Sucesso escolar (e mais tarde profissional) e sucesso pessoal (que é cumpri-se na sua verdadeira essência) são coisas muito diferentes, mas demasiadas vezes confundidas!

Um leitura que recomendo vivamente : Dificuldades de aprendizagem | iOnline

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

"Socorro, a escola dos meus pais vai começar!"



A propósito do início das aulas, vou deixar aqui uma citação. Apenas para podermos reflectir acerca de algumas coisas... Se for do vosso interesse, posso depois alongar-me um pouco mais acerca desta questão.

No seu livro "A Criança Explicada Aos Pais - Segundo Dolto", Jean-Claude Liaudet (psicólogo e psicanalista) a propósito da escola refere:
"É uma escola-tipo para uma criança-tipo que não existe. O ritmo pessoal da criança, as suas motivações para aprender, ligadas à sua história afectiva singular, não são nem tidas em conta nem respeitadas.
Uma inadaptação escolar não é pois inquietante em si. Isso significa as mais das vezes que a escola não está adaptada à criança, e que se trata de lhe encontrar situações mais favoráveis para se desenvolver intelectualmente. (...)
Françoise Dolto muito cedo notou o caso de crianças profundamente inadaptadas, irrecuperáveis aos olhos dos docentes. A guerra de 1939-1945 salvou mais do que uma dessas situações interrompendo-lhes a escola. Ela cita o exemplo duma criança refugiada no campo e que o professor primário duma classe única aceita acolher, sem lhe exigir nenhum trabalho escolar, tendo o teste de inteligência de Binet-Simon diagnosticado um atraso mental importante. A criança não ia à escola senão quando queria, divertindo-se a fazer como os pequeninos quando lhe apetecia, a responder às perguntas da secção dos meios quando lhe dava no goto. Em três anos ela tinha atingido um nível normal sem que alguém se ocupasse dela.
Françoise Dolto cita igualmente o caso duma criança que não podia mais frequentar a sua classe. Ela toma a iniciativa de a fazer viver no campo longe de qualquer escola, onde ela depressa desaprende o pouco que sabia. Ao fim de um ano, a caseira encarrega-se de a ensinar a ler, à razão de uma meia hora por dia... Em três anos, ela recuperou o nível da sua classe de origem. mais tarde, terminou o secundário, depois veio a ser veterinário.
Foi porque os pouparam à pedagogia escolar que estas crianças consideradas irrecuperáveis puderam aprender."(Liaudet, 2000, p.133)

Não pretendo condenar a escola (sem direito a julgamento) e fingir que não nos trouxe tanto do bom que temos. Esta questão, para mim, não é linear. Fica apenas no ar o facto de que a escolarização tal como é vivida nos dias de hoje, não é necessariamente a melhor. Mas também acho, que para já, é a que existe e devemos saber reconhecer e agradecer o que nos dá.

Agora a grande questão para mim é - Não estão a sentir no ar a tensão crescer com o início das aulas? - E não estamos a falar de tensão nas crianças. Estamos a falar de tensão nos pais. Como se fossem os pais a voltar para a escola (uma escola que tantas vezes foi terrível para eles).

Porque é que isso acontece? Que dimensão é esta que a escola ganha na vida da família? No primeiro dia de escola, os nossos filhos carregam já com eles esta sensação, este peso das expectativas (suas, mas principalmente as dos pais), estes deveres e obrigações de sucesso, de fazer igual ou melhor que o ano passado, etc.

Será que, por vezes, não nos baralhamos um pouco e nos deixamos invadir pela sensação de que o sucesso ou insucesso escolar dos nossos filhos, nos define como pais? De que o seu sucesso ou insucesso é também o nosso sucesso ou insucesso?

Respiremos fundo e libertemos os nossos filhos de tanto, mas tanto, que é nosso!

Abraço apertado aos meninos pais e boa escola!

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Entrada para o 1º ciclo - Ultrapassar o "nó na barriga"

O seu filho vai entrar para o 1º ciclo? Quando pensa nisso, como é que se sente? Fica com um brilho nos olhos, sente um aperto no estômago ou dá-lhe um friozinho na barriga?

Esta etapa na vida de uma família, costuma trazer consigo entusiasmo, expectativas e sobretudo, muitos receios. Todas as etapas de transição implicam, por natureza, expectativas, dúvidas, medos e às vezes até alguma angústia. Todos os elementos implicados no processo sabem que têm um papel a assumir e querem cumpri-lo melhor que ninguém. No entanto, todos se debatem com as suas próprias dúvidas e inseguranças e é isso que torna estes "grandes" momentos tão ambivalentes.

Não pretendo alongar-me acerca do que vai mudar da realidade do pré-escolar para o 1º ciclo. Até porque na realidade esse será um factor de menor importância em todo o processo. Ainda assim, importa referir que existem efectivamente diferenças relevantes como a forma como o seu filho vai passar a viver o espaço (agora e cada vez mais, centrado numa mesa, num quadro, em folhas/ cadernos) e adquirir novos hábitos de trabalho e novas regras. Passarão a existir sobre a criança expectativas de um certo “bom” comportamento e de aprendizagem e é aí que, subtilmente (ou nem por isso), se introduz o conceito de sucesso (e insucesso) escolar. Os critérios de avaliação do percurso do seu filho deixam de se centrar no domínio sócio-afectivo (linguagem, capacidade de estabelecer boas relações com os pares e com o adulto, persistência, autonomia, etc.) e passam a centrar-se em critérios académicos (produção escolar e atitude face ao trabalho e às regras). Mas, como dizia, mais importante do que estes aspectos, hoje sabe-se que o sucesso ou insucesso escolar corresponde (muito) frequentemente a uma adaptação escolar bem, ou menos bem, sucedida. Ou seja, sucesso escolar é na realidade sucesso no processo de adaptação escolar e, o contrário, é igualmente válido.


Como é que os pais podem ajudar?


Antes de mais, é fundamental que toda a família reconheça e compreenda que medos, dúvidas e insegurança não são vividas exclusivamente pela criança, antes pelo contrário. Também os pais transportam para o processo as suas próprias vivências, medos e inseguranças. Por isso mesmo, este talvez seja um momento interessante para que os pais se recordem de como foi vivida a sua própria escolaridade em todas as suas etapas. A tendência será para projectar muito do que é nosso nos nossos filhos. É importante compreender que este é um novo caminho que se inicia. Pensar se o seu filho vai fazer amigos com facilidade, gostar do professor, ter dificuldades com esta ou outra disciplina, é viver hoje o que ainda não existe. E quando vivemos no que poderá, eventualmente, estar para vir, temos menos disponibilidade para viver o que hoje está a acontecer.

Depois, é necessário ter em linha de conta que também os seus próprios receios e inseguranças como pais poderão interferir. Isto porque deixar crescer os nossos filhos não é um processo necessariamente pacífico e livre de conflitos internos. A entrada de um filho para a escola é mais um confronto com o facto de que a vida dele não nos pertence, e que a nossa função é apenas a de o preparar para que um dia possa seguir o seu caminho (de preferência, com a qualificação máxima de doutoramento em amor).

Posto isto, a verdade é que se estivermos alerta para as nossas próprias emoções, então estão criadas as condições para separarmos as águas e evitar que as mesmas interfiram no processo de adaptação do nosso filho, que deve ser livre e vivido apenas à sua imagem.


Ficam algumas dicas...
  1. Sinta que é fundamental que o seu filho aprenda a crescer. E para aprender a crescer, é importante que viva conflitos e aprenda a ultrapassar os seus desafios. Proteger demasiado o seu filho de frustrações e dificuldades pode torná-lo mais frágil e vulnerável. Vai entrar para a escola? Que desafio maravilho que aí vem!
  2. Incentive e fale sobre a entrada para a escola, mas evite longas e insistentes explicações que poderão gerar desconfiança e ansiedade;
  3. Evite mensagens contraditórias como dar recompensas ao seu filho por ter ido à escola. Se ir para a escola é bom e normal, então porque é que tem que ser (re)compensada? Estas prendas revelam muitas vezes a culpabilidade dos pais e a sua ambivalência;
  4. Seja carinhoso mas firme mostrando que não tem dúvidas de que o seu filho vai ficar bem;
  5. Organize a rotina de forma a garantir alguma tranquilidade (nada pior do que chegar à escola depois de uma manhã de correrias e zangas por causa de atrasos);
  6. Para uma boa adaptação é imprescindível que a criança esteja estável física e emocionalmente (se existirem conflitos latentes ou abertos em casa, a criança tenderá a transportar essa desarmonia para a escola);
  7. Converse com o seu filho sobre o seu dia-a-dia. A melhor estratégias será falar do seu próprio dia de forma emocional (e não apenas sob a forma de relato). Assim estará a ensinar-lhe a fazer o mesmo (por exemplo “hoje fiquei triste com X" ou "aconteceu Y que me deixou muito feliz e orgulhosa”);
  8. Dê sempre, prioridade à pessoa que o seu filho é e não aos resultados que obtém. Se se esforçou muito e os resultados não foram os desejados, então o mais importante no processo foi de facto o esforço. Os resultados podem ser bons hoje e maus amanhã. Continuar a esforçar-se e aprender a corrigir o que não correu bem é a única forma de chegar onde pretende.
  9. O seu filho entrou para a escola mas continua a ser uma criança, precisa acima de tudo de brincar muito e sentir-se profundamente amado, sempre;
  10. Saiba que o conceito de sucesso escolar está sobrevalorizado. Não existe uma relação directa entre sucesso escolar e sucesso na vida (principalmente se considerarmos que ter sucesso na vida é ser feliz);
  11. Mantenha-se focado no que é verdadeiramente importante. O seu amor e atenção serão os dois factores mais estruturantes ao longo de todo e qualquer processo de adaptação pelo qual o seu filho possa passar. Mais do que isso, são os elementos mais protectores da vida dele.

Agora chegou o momento para perguntar: Sente-se preparado/a para que seu filho entre no 1º ciclo?