Um blog sobre psicologia, parentalidade e desenvolvimento pessoal. Aqui poderá encontrar artigos, reflexões e dicas para um "estar" mais pleno, equilibrando e gerindo as emoções na sua vida. Bem-vindo/a.
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domingo, 28 de setembro de 2014
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
"Não Quero ir para a Escola!"
E depois dos sorrisos e mimos matinais, começam os zangados "não quero ir para a escola!", "não quero brincar com os amigos!" e "não quero ir pintar!". Sorrio e com carinho traduzo as suas palavras dizendo "eu sei que é muito saboroso estar em casa com a mamã e com o papá. Eu também gosto muito quando brincamos juntas. Mas agora é hora de tu, o papá e a mamã trabalharem. Tenho a certeza de que te vais divertir muito! Quando voltares da escola brincamos novamente juntas". É tão bom ver o olhar confuso da minha filhota como quem pensa "não foi isso que eu disse... mas foi isso que eu senti!". E lá segue ela, feliz e contente, para a escola que ela adora de paixão!
Por vezes, os pais tendem a interpretar o que ouvem dos filhos apenas pelo que dizem as suas palavras. No entanto, é o seu sentir que tenta revelar-se e libertar-se da forma como pode. Nem a própria criança consegue entender o que sente. Assim, um dos papeis dos pais passa por ajudar nesse processo, "traduzindo" e separando as diferentes dimensões do que está a ser dito.
A A. adora a escola, é um facto. Mas também adora estar em casa com os pais, e é muito difícil para ela e todas as crianças pequenas conviverem com essas ambivalências. Ajudá-las a compreender, ajuda-as a sentirem-se mais confortáveis e serenas. Mas, principalmente, ajuda-as a separar as coisas. Não é por querer prolongar um momento, que não gostamos do momento a seguir. E em crianças pequenas como a A. (2 anos) o momento é só o que existe. Finalizar com um "quando voltares da escola vamos brincar novamente juntas" ajuda-a a desenvolver gradualmente a consciência do "depois".
Abraço,
Ana Guilhas
Por vezes, os pais tendem a interpretar o que ouvem dos filhos apenas pelo que dizem as suas palavras. No entanto, é o seu sentir que tenta revelar-se e libertar-se da forma como pode. Nem a própria criança consegue entender o que sente. Assim, um dos papeis dos pais passa por ajudar nesse processo, "traduzindo" e separando as diferentes dimensões do que está a ser dito.
A A. adora a escola, é um facto. Mas também adora estar em casa com os pais, e é muito difícil para ela e todas as crianças pequenas conviverem com essas ambivalências. Ajudá-las a compreender, ajuda-as a sentirem-se mais confortáveis e serenas. Mas, principalmente, ajuda-as a separar as coisas. Não é por querer prolongar um momento, que não gostamos do momento a seguir. E em crianças pequenas como a A. (2 anos) o momento é só o que existe. Finalizar com um "quando voltares da escola vamos brincar novamente juntas" ajuda-a a desenvolver gradualmente a consciência do "depois".
Abraço,
Ana Guilhas
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
Ser mais feliz com a sua família feliz!
Li recentemente num livro de Deepack Chopra que em determinada altura da sua carreira como médico, resolveu perguntar aos seus pacientes o que queriam obter na vida. A cada resposta como "ter muito dinheiro", "a segurança dos meus filhos" ou "para comprar isto ou aquilo", ele respondia com um insistente "porquê?". Fez isto, até chegar aquela que aparentava ser uma resposta final e que estaria na base de todos os outros objectivos ou necessidades, "porque quero ser feliz". Todos os pacientes, a quem submeteu o interrogatório, pareciam ter chegado a uma única e comum resposta.
Há algo que une todas as pessoas, e como tal também todas as famílias, que é o desejo mais assumido, ou menos assumido, mais visível ou mais escondido, de SER FELIZ. O autor Tal Ben-Shahar, professor na Universidade de Harvard, no seu livro "Aprenda a Ser Feliz"1 dá o exemplo do seu primeiro grande confronto com esta questão. Aos 16 anos, ganha o campeonato nacional israelita de squash e, depois de um dia e noite de euforia e comemoração, vê-se sozinho no quarto a chorar. Nos dias que se seguiram, essa desolação foi aumentando. E sentiu pela primeira vez que não seria criando outra meta (o campeonato do mundo p.ex.) que iria alcançar a felicidade e preencher o vazio que sentia.
Consegue imaginar uma pessoa com a carreira "perfeita", a família "perfeita", tudo muito lindo e organizado e, no entanto, um tremendo vazio por dentro? Sim, isso é perfeitamente possível e acontece tantas vezes! Esse sentimento causa-nos estranheza, e quanto mais olhamos para fora, mais estranho nos parece. Acabamos por negar a existência desta tristeza que guardamos bem lá no nosso íntimo. Quanto mais escondida está, mais parece invadir-nos. O que é que nos falta? Ser felizes?
Segundo Tal Ben-Sharar, antes de mais, a questão a ser colocada não é "como posso ser feliz" mas antes "como posso ser MAIS feliz?". Segundo este autor, a felicidade encontra-se no equilíbrio entre a experiência do prazer (vivência do presente) e a noção de significado/ propósito (investimento no futuro). Não basta ter noção de um propósito ou de um ideal. É necessário sim, ter também "à vista" do presente, acções específicas relacionadas com esse ideal e que sejam geradoras de prazer.
Ou seja, se eu quiser "ter uma família feliz" mas estiver focada em chegar lá pela estabilidade financeira, o sucesso escolar dos meus filhos, e o cumprimento de uma série de outras obrigações sociais, corro o risco de me distanciar dos factores que realmente caracterizam essa felicidade. Quanto tempo sobra para rirmos em conjunto, para dizermos e sentirmos que nos amamos? Quanto tempo, e com que qualidade, estou hoje com o meu filho/a?
Se um dos meus propósitos é ter uma família feliz, ou dizendo melhor ainda, ser mais feliz com a minha família feliz, não basta ter casado, não basta ter um filho e não basta ter mais outro e depois cumprir rigorosamente as expectativas sociais. Preciso sim, de saber hoje (e todos os dias), como vou viver (agindo) a minha relação amorosa? Como vou viver hoje, os meus filhos? Como vou viver esta família feliz, através de acções e prazeres concretos?
Organizar um pic-nic para o fim de semana; Combinado deixar os filhos com os avós ou com amigos enquanto vamos ao cinema com o/a companheiro/a; Escolher reunir a família todos os dias ao jantar e fazer desse momento um momento agradável; Porque não um jogo em família antes ou depois do jantar consoante os horários? Tudo isto são acções, concretas e reais que tornam um ideal numa realidade de hoje.
Pensarmos no ideal só por si poderia ser um pouco como um adolescente a quem se pergunta o que pretende fazer profissionalmente. Este, responde que quer ser actor. Quando lhe perguntamos se já teve algum tipo de aula de representação ou se já se inscreveu em algum grupo de teatro, responde que não. Esta forma idealizada de viver pode tornar-se até perigosa pelo vazio que trás consigo. Por outro lado, podemos ter um jovem que olha apenas à meta. Trabalha "desalmadamente" para tirar um curso de medicina, sacrifica as amizades pessoais, o seu tempo de lazer, isto por vários anos, e depois de ter o diploma na mão, já não tem bem certeza de querer ser médico. E aí vem novamente o vazio.
Não temos apenas um propósito na vida. É um facto. E nem sempre é possível retirar prazer de tudo o que fazemos. O segredo está em gerir os diferente ideais e respectivas acções de forma a que possamos investir em nós e retirar prazer não de tudo, mas sim do nosso dia-a-dia.
Tal como no exemplo referido no inicio, o prazer fugaz retirado do momento em que se atinge um objectivo, principalmente quando realizado às custas do sacrifício de vários anos, não compensa o que intimamente sentimos que perdemos. E neste ciclo de "competição desenfreada" com a vida, forçamo-nos a arranjar outro objectivo e repetir o sacrifício por mais uns anos. A felicidade vai sendo adiada e quando chega, não nos satisfaz. E assim sucessivamente.
Por uma questão de semântica, o futuro nunca é hoje e nós não existimos senão no hoje. Se nos sentimos em luta constante pelo futuro, então onde fica a nossa existência?
Se quer ser feliz e fazer parte de uma família feliz, o dia é hoje!
Abraço,
Referências bibliográficas:
1. Ben-Shahar, Tal. Aprenda a Ser Feliz, Porto, Edições ASA II, S. A. ,2008
Há algo que une todas as pessoas, e como tal também todas as famílias, que é o desejo mais assumido, ou menos assumido, mais visível ou mais escondido, de SER FELIZ. O autor Tal Ben-Shahar, professor na Universidade de Harvard, no seu livro "Aprenda a Ser Feliz"1 dá o exemplo do seu primeiro grande confronto com esta questão. Aos 16 anos, ganha o campeonato nacional israelita de squash e, depois de um dia e noite de euforia e comemoração, vê-se sozinho no quarto a chorar. Nos dias que se seguiram, essa desolação foi aumentando. E sentiu pela primeira vez que não seria criando outra meta (o campeonato do mundo p.ex.) que iria alcançar a felicidade e preencher o vazio que sentia.
Consegue imaginar uma pessoa com a carreira "perfeita", a família "perfeita", tudo muito lindo e organizado e, no entanto, um tremendo vazio por dentro? Sim, isso é perfeitamente possível e acontece tantas vezes! Esse sentimento causa-nos estranheza, e quanto mais olhamos para fora, mais estranho nos parece. Acabamos por negar a existência desta tristeza que guardamos bem lá no nosso íntimo. Quanto mais escondida está, mais parece invadir-nos. O que é que nos falta? Ser felizes?
Segundo Tal Ben-Sharar, antes de mais, a questão a ser colocada não é "como posso ser feliz" mas antes "como posso ser MAIS feliz?". Segundo este autor, a felicidade encontra-se no equilíbrio entre a experiência do prazer (vivência do presente) e a noção de significado/ propósito (investimento no futuro). Não basta ter noção de um propósito ou de um ideal. É necessário sim, ter também "à vista" do presente, acções específicas relacionadas com esse ideal e que sejam geradoras de prazer.
Ou seja, se eu quiser "ter uma família feliz" mas estiver focada em chegar lá pela estabilidade financeira, o sucesso escolar dos meus filhos, e o cumprimento de uma série de outras obrigações sociais, corro o risco de me distanciar dos factores que realmente caracterizam essa felicidade. Quanto tempo sobra para rirmos em conjunto, para dizermos e sentirmos que nos amamos? Quanto tempo, e com que qualidade, estou hoje com o meu filho/a?
Se um dos meus propósitos é ter uma família feliz, ou dizendo melhor ainda, ser mais feliz com a minha família feliz, não basta ter casado, não basta ter um filho e não basta ter mais outro e depois cumprir rigorosamente as expectativas sociais. Preciso sim, de saber hoje (e todos os dias), como vou viver (agindo) a minha relação amorosa? Como vou viver hoje, os meus filhos? Como vou viver esta família feliz, através de acções e prazeres concretos?
Organizar um pic-nic para o fim de semana; Combinado deixar os filhos com os avós ou com amigos enquanto vamos ao cinema com o/a companheiro/a; Escolher reunir a família todos os dias ao jantar e fazer desse momento um momento agradável; Porque não um jogo em família antes ou depois do jantar consoante os horários? Tudo isto são acções, concretas e reais que tornam um ideal numa realidade de hoje.
Pensarmos no ideal só por si poderia ser um pouco como um adolescente a quem se pergunta o que pretende fazer profissionalmente. Este, responde que quer ser actor. Quando lhe perguntamos se já teve algum tipo de aula de representação ou se já se inscreveu em algum grupo de teatro, responde que não. Esta forma idealizada de viver pode tornar-se até perigosa pelo vazio que trás consigo. Por outro lado, podemos ter um jovem que olha apenas à meta. Trabalha "desalmadamente" para tirar um curso de medicina, sacrifica as amizades pessoais, o seu tempo de lazer, isto por vários anos, e depois de ter o diploma na mão, já não tem bem certeza de querer ser médico. E aí vem novamente o vazio.
Não temos apenas um propósito na vida. É um facto. E nem sempre é possível retirar prazer de tudo o que fazemos. O segredo está em gerir os diferente ideais e respectivas acções de forma a que possamos investir em nós e retirar prazer não de tudo, mas sim do nosso dia-a-dia.
Tal como no exemplo referido no inicio, o prazer fugaz retirado do momento em que se atinge um objectivo, principalmente quando realizado às custas do sacrifício de vários anos, não compensa o que intimamente sentimos que perdemos. E neste ciclo de "competição desenfreada" com a vida, forçamo-nos a arranjar outro objectivo e repetir o sacrifício por mais uns anos. A felicidade vai sendo adiada e quando chega, não nos satisfaz. E assim sucessivamente.
Por uma questão de semântica, o futuro nunca é hoje e nós não existimos senão no hoje. Se nos sentimos em luta constante pelo futuro, então onde fica a nossa existência?
Se quer ser feliz e fazer parte de uma família feliz, o dia é hoje!
Abraço,
Referências bibliográficas:
1. Ben-Shahar, Tal. Aprenda a Ser Feliz, Porto, Edições ASA II, S. A. ,2008
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
"Socorro, a escola dos meus pais vai começar!"
A propósito do início das aulas, vou deixar aqui uma citação. Apenas para podermos reflectir acerca de algumas coisas... Se for do vosso interesse, posso depois alongar-me um pouco mais acerca desta questão.
No seu livro "A Criança Explicada Aos Pais - Segundo Dolto", Jean-Claude Liaudet (psicólogo e psicanalista) a propósito da escola refere:
"É uma escola-tipo para uma criança-tipo que não existe. O ritmo pessoal da criança, as suas motivações para aprender, ligadas à sua história afectiva singular, não são nem tidas em conta nem respeitadas.
Uma inadaptação escolar não é pois inquietante em si. Isso significa as mais das vezes que a escola não está adaptada à criança, e que se trata de lhe encontrar situações mais favoráveis para se desenvolver intelectualmente. (...)
Françoise Dolto muito cedo notou o caso de crianças profundamente inadaptadas, irrecuperáveis aos olhos dos docentes. A guerra de 1939-1945 salvou mais do que uma dessas situações interrompendo-lhes a escola. Ela cita o exemplo duma criança refugiada no campo e que o professor primário duma classe única aceita acolher, sem lhe exigir nenhum trabalho escolar, tendo o teste de inteligência de Binet-Simon diagnosticado um atraso mental importante. A criança não ia à escola senão quando queria, divertindo-se a fazer como os pequeninos quando lhe apetecia, a responder às perguntas da secção dos meios quando lhe dava no goto. Em três anos ela tinha atingido um nível normal sem que alguém se ocupasse dela.
Françoise Dolto cita igualmente o caso duma criança que não podia mais frequentar a sua classe. Ela toma a iniciativa de a fazer viver no campo longe de qualquer escola, onde ela depressa desaprende o pouco que sabia. Ao fim de um ano, a caseira encarrega-se de a ensinar a ler, à razão de uma meia hora por dia... Em três anos, ela recuperou o nível da sua classe de origem. mais tarde, terminou o secundário, depois veio a ser veterinário.
Foi porque os pouparam à pedagogia escolar que estas crianças consideradas irrecuperáveis puderam aprender."(Liaudet, 2000, p.133)
Não pretendo condenar a escola (sem direito a julgamento) e fingir que não nos trouxe tanto do bom que temos. Esta questão, para mim, não é linear. Fica apenas no ar o facto de que a escolarização tal como é vivida nos dias de hoje, não é necessariamente a melhor. Mas também acho, que para já, é a que existe e devemos saber reconhecer e agradecer o que nos dá.
Agora a grande questão para mim é - Não estão a sentir no ar a tensão crescer com o início das aulas? - E não estamos a falar de tensão nas crianças. Estamos a falar de tensão nos pais. Como se fossem os pais a voltar para a escola (uma escola que tantas vezes foi terrível para eles).
Porque é que isso acontece? Que dimensão é esta que a escola ganha na vida da família? No primeiro dia de escola, os nossos filhos carregam já com eles esta sensação, este peso das expectativas (suas, mas principalmente as dos pais), estes deveres e obrigações de sucesso, de fazer igual ou melhor que o ano passado, etc.
Será que, por vezes, não nos baralhamos um pouco e nos deixamos invadir pela sensação de que o sucesso ou insucesso escolar dos nossos filhos, nos define como pais? De que o seu sucesso ou insucesso é também o nosso sucesso ou insucesso?
Respiremos fundo e libertemos os nossos filhos de tanto, mas tanto, que é nosso!
Abraço apertado aos meninos pais e boa escola!
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
Com um brilho nos olhos...
Queria ser bióloga e estudar os animais. Descobri depois, e porque as dicas da vida às vezes até são muito óbvias, que o meu caminho era a psicologia. Fui então parar ao estudo do animal mais complexo de todos, o Ser Humano. Fascinante! Hoje sei que nunca poderia ter sido diferente. Foi só mais tarde que descobri a minha grande paixão, a formação. E se quiserem saber o que me deixa verdadeiramente com um brilho nos olhos é sem dúvida formação parental.
O grande desafio foi quando fui mãe, há 2 anos atrás. Nasceu o meu maior AMOR incondicional. Com o nascimento da minha "piolinha maluca" a minha vida mudou porque o meu olhar sobre o mundo mudou. Aventurar-me na formação parental depois disto é a maior prova de fogo de sempre. Principalmente porque, mais do que nunca, significa trabalhar-me a mim todos os dias!
Tão bom e tão difícil que é!
Está com coragem para se juntar a mim?
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